Está marcada, pela CGTP, para o próximo dia 30 de Maio uma greve geral de 24 horas à qual podem aderir todos os trabalhadores por conta doutrem, estejam ou não sindicalizados.

A alguns dias da greve geral, importa também analisar os motivos que levaram à sua convocação e perceber da justiça desta decisão.

O país está confrontado com uma das maiores crises desde o 25 de Abril: elevadas taxas de desemprego, poder  de compra a subir e os salários cada vez mais "curtos" para fazer face às necessidades, serviços públicos a encerrar, impostos a aumentar e a Saúde cada vez mais cara.

Do outro lado temos meia dúzia de grupos económicos que vão acumulando lucros, sendo escandalosos os lucros dos bancos principalmente porque são obtidos à custa de muitos e muitos trabalhadores que vêem as taxas de juros dos empréstimos à habitação subir escandalosamente.

Perante este cenário, seria de esperar que o governo cuidasse dos problemas da generalidade da população e tentasse inverter esta situação, nomeadamente através de uma mais justa distribuição da riqueza produzida e pela promoção de politicas sociais e geradoras de emprego que conduzissem o país para outro rumo.

Infelizmente não é isto que se verifica. 

O governo do PS/Sócrates contribui objectivamente para agravar ainda mais a situação de vida da generalidade da população, sendo a mais recente intenção de avançar com a chamada flexigurança um exemplo claro.

Mas, afinal o que é que significa a tão anunciada flexigurança?

Significa liberdade para despedir sem justa causa.

Significa generalizar o trabalho precário com a redução do número de trabalhadores efectivos (em muitas reestruturações os postos de trabalho mantêm-se, só que ocupados por trabalhadores precários com menos salários e menos direitos) e generalizar a precarização dos vínculos (contratos a prazo, trabalho temporário, subcontratação, falsos recibos verdes).

Significa ainda combater os sindicatos e o seu papel ao mesmo tempo que se pretende acabar de vez com a contratação colectiva e desregulamentar os horários de trabalho (cuja gestão e organização passava a ser feita de acordo com os objectivos de cada patrão independentemente da vida de cada trabalhador), a polivalência de funções, a mobilidade geográfica e a redução dos salários, nivelando por baixo as relações de trabalho. 

A situação a que chegou o país tem conduzido muitos trabalhadores, particularmente jovens, a ter que abandonar os seus lares e as suas famílias para emigrar para outros países.

Também os pequenos comerciantes e empresários atravessam momentos particularmente difíceis resultado desta política de concentração de riqueza em meia dúzia de famílias ou grupos; assim como milhares de reformados deste país atravessam enormes dificuldades fruto das baixas pensões que recebem após uma vida de trabalho. 

Bem pode o governo tentar fazer passar a imagem de um país diferente, bem pode o senhor Sócrates dizer que há trabalhadores que são privilegiados, bem pode ainda dizer que o país está no bom caminho e que a recuperação económica está ali ao virar da esquina… nós, a generalidade da população, sente dia-a-dia o aumento do custo de vida e o agravamento da situação social do país. 

Conscientes de que cada um por si não é capaz de mudar o país, sabemos também que todos juntos teremos muita força. Por isso mesmo, dia 30 de Maio, vamos dizer basta e exigir uma mudança de políticas, uma mudança de rumo.

30 de Maio, todos à greve geral, por melhores salários, contra o desemprego e a precariedade laboral, por uma mais justa distribuição da riqueza. 
 
 

Jaime Toga

http://jaimetoga.blogspot.com