"Para mim é uma honra receber o prémio com o nome de Camilo Castelo Branco", afirmou o jovem escritor Gonçalo M. Tavares ao receber o Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, pela sua obra "Água, Cão, Cavalo, Cabeça", em cerimónia que decorreu segunda-feira, no Centro de Estudos Camilianos, em S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Gonçalo M. Tavares destacou ainda o facto de receber um prémio literário "fora da capital": "É muito agradável sair de Lisboa e receber este prémio neste local", referiu, acrescentando que "houve uma força que me puxou para este local, uma força que foi dada pelas pessoas que estão atentas e cuidam da cultura".

O escritor recebeu de Armindo Costa o prémio atribuído pelo júri da Associação Portuguesa de Escritores (APE) no valor pecuniário de cinco mil euros, pelo seu livro "Água, Cão, Cavalo, Cabeça". Um livro que mistura dentro de pequenas histórias apontamentos vários que vão da crónica íntima ao aforismo de cariz mais existencial. "Água,  Cão, Cavalo, Cabeça" foi escolhido por unanimidade por um júri constituído por Ana Gabriela Macedo, Julieta Monginho e José Nobre da Silveira.

"O Grande Prémio de Conto é uma grande homenagem a Camilo Castelo Branco, que nos deixou uma obra infindável, onde o Conto ocupa, sem dúvida, um lugar de destaque. Com este galardão, pretendemos recordar Camilo e a sua obra, mas também estimular a criação literária contemporânea, proporcionando condições para que floresçam novos talentos", afirmou o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Armindo Costa. E adiantou:

"A partir de hoje, Gonçalo M. Tavares passa a integrar a fileira de autores de língua portuguesa tão notáveis como José Jorge Letria, José Eduardo Agualusa, José Viale Moutinho ou Urbano Tavares Rodrigues, entre outros. E essa é, sem dúvida a felicitação mais expressiva e relevante que lhe pode ser dirigida."

Na sua intervenção, Armindo Costa deixou muitos elogios ao escritor salientando que Gonçalo M. Tavares "é um dos escritores mais originais da literatura portuguesa contemporânea" . "Os críticos literários já o definem como um dos grandes poetas do século XXI", acrescentou."Gonçalo Tavares é, acima de tudo, um homem da comunicação, da literatura, da escrita. Felicito-o pela sua obra literária, que divulga e dignifica a língua portuguesa, a língua de Camões, de Pessoa e de Camilo", sublinhou o autarca.

Armindo Costa aproveitou ainda a oportunidade para realçar que o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, patrocinado pela Câmara de Famalicão, é fruto de uma parceria com a Associação Portuguesa de Escritores (APE) que "já dura há 16 anos".

Mário de Carvalho, Teresa Veiga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Miguel Miranda, Luísa Costa Gomes, José Jorge Letria, José Eduardo Agualusa, José Viale Moutinho, António Mega Ferreira, Teolinda Gersão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel Jorge Marmelo e Paulo Kellerman foram os vencedores das primeiras 15 edições do prémio.

Nascido em 1970, Gonçalo M. Tavares é um dos escritores portugueses com maior ritmo de publicação de livros, desde Dezembro de 2001, data da sua primeira obra, "Livro da Dança". O autor já venceu também o Prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com a obra "O Senhor Valéry", o Prémio Revelação de Poesia da APE, com "Investigações Novalis", e o Prémio Literário Ler Millenium/BCP 2004, com o romance "Jerusalém".