Para recordar costumes antigos e promover o convívio, a Junta de Freguesia do Muro organizou uma desfolhada à moda antiga.

O Largo da Serra, no Muro, encerrou ao trânsito para acolher a desfolhada à moda antiga, na noite de sábado. A iniciativa da Junta de Freguesia reuniu miúdos e graúdos à volta das canas de milho, para desfolhar as espigas douradas.

Com 82 anos, Deolinda Martins aproveitou a actividade para recordar os tempos de solteira. “Já desfolhei muito, participei em desfolhadas e também espadeladas”. Deolinda foi das primeiras pessoas a chegar ao local, mas ao longo da noite foram muitos os que quiseram participar na iniciativa. Alguns levaram a actividade muito a sério e vestiram-se a rigor, com trajes da época ou simples lenços minhotos. Num verdadeiro regresso a outros tempos, só faltou mesmo cumprir uma tradição quando se encontrava o milho-rei. Quando as desfolhadas eram a sério, quem encontrasse uma espiga encarnada tinha que cumprir um outro costume. “Usava-se dar abraços”, recordou Deolinda Martins, voltando a sua atenção novamente para as espigas douradas, esperando não encontrar o milho-rei.

Apesar de ter nascido na África do Sul, Vítor Costa vive no Muro “há cerca de 20 anos” e participou “com gosto” na desfolhada à moda antiga, embora conheça “mal” esta tradição. “É uma boa iniciativa e deviam ser organizadas outras semelhantes, porque são uma forma de incentivar o convívio na freguesia”, garantiu.

Os mais novos não conhecem as tradições da região, mas isso não foi motivo para desistirem de separar as espigas das canas de milho. Só o NT/TrofaTv conseguiu com que o pequeno Filipe Pinto fizesse uma pausa na desfolhada. “Foi a primeira vez” que participou numa actividade do género, mas garantiu que gostou “muito”.

Na noite de sábado, o som característico da desfolhada foi acompanhado pelas vozes de alguns utentes da Associação Muro de Abrigo, que deram ainda mais vida e veracidade à actividade. Depois de desfolhadas as últimas espigas, os participantes aconchegaram o estômago com carne, pão e vinho.

O presidente da Junta de Freguesia do Muro mostrou-se satisfeito com o sucesso da actividade, apesar de ter “menos gente que no ano passado, mas o artista (Quim Barreiros) também era outro”.

A desfolhada à moda antiga já vai na quinta edição e Carlos Martins explicou que o objectivo é “revitalizar a tradição para que os mais novos saibam o que é uma espiga e o milho”. “Trazer à memória da população mais idosa uma actividade que já fez por necessidade” era outro dos propósitos.

Para encontrar milho suficiente para todos desfolharem, a Junta de Freguesia contou com a colaboração de um agricultor, que cedeu o milho. Depois, a Junta devolveu as espigas e a palha de milho. O autarca murense sublinhou que esta é uma actividade “com poucos custos”, pois “quase tudo é oferecido”.

Foram as danças e os cantares tradicionais do Rancho de S. Pedro de Avioso que animaram a noite e abriram o espaço para que os participantes também pudessem dar um pezinho de dança.