gnrTão cedo o receio de nova investida não abandonará os funcionários do posto de combustível da Repsol, na EN 105, em Santo Tirso, que esta sexta-feira à noite foi de novo assaltado, à mão armada. Um homem acabou baleado.

Cumpria o turno da noite, mas não chegaria ao fim. Henrique Figueiredo, de 56 anos, acabaria o dia de trabalho com uma bala cravada na barriga da perna esquerda. Apesar de ter perfurado o membro, o projéctil não provocou ferimentos graves.

Depois de operado no Hospital de Guimarães, o homem regressou a casa, em Vila das Aves, ao início da madrugada de ontem, apoiado em duas canadianas e com ordens de repouso.

Ontem à tarde, Henrique conheceria outras instruções. Confrontado com a reportagem do JN em casa da vítima, o proprietário do posto de abastecimento não quis prestar declarações.

O assalto, segundo fonte policial, foi realizado por dois homens, sendo que apenas um se dirigiu, armado e encapuzado, à loja da gasolineira, intimidando Henrique com uma arma de fogo. Face à recusa do empregado em facilitar o acesso à caixa registadora, e tendo este tentado fugir, o assaltante disparou, atingindo o homem na perna. Tudo terá acontecido cerca das 22.37 horas de anteontem, confirmou a GNR.

O apuro do dia – uma quantia ainda desconhecida – foi roubado. As câmaras de vigilância da gasolineira, localizada à face da EN 105, na freguesia tirsense de S. Tomé de Negrelos, registaram o furto e a agressão, e sabe-se que os assaltantes fugiram numa motorizada em direcção a S. Martinho do Campo. Entretanto alertada, a GNR de Vila das Aves ainda tentou perseguir os dois indivíduos, mas sem sucesso. O caso está agora a ser investigado pela Polícia Judiciária.

Anteontem, durante todo o dia, Leonor, esposa de Henrique, viveu com o arrepio de um pressentimento funesto a percorrer-lhe a espinha.

“Era sexta-feira, dia 13. Virei uma chávena de café e até disse, por duas vezes: ‘Hoje, estou azarenta'”, recordou, ao JN. “Quando é o turno de sair às 23 horas, fico sempre preocupada”, desabafa, garantido que o desassossego será maior daqui em diante.

O mesmo posto da Repsol já sofreu pelo menos um par de assaltos nos últimos dois anos, segundo apurou o JN. Um deles, igualmente à mão armada, envolveu o gerente do posto, sobrinho de Henrique Figueiredo, que também esteve sob ameaça de uma arma de fogo.

Ana Correia Costa / JN