A tradição passa de pais para filhos e as expectativas em não defraudar o que já foi feito há anos fazem com que o trabalho seja muito. Este ano aldeia da Gandra está responsável pela realização da festa em honra de Nossa Senhora das Dores. De 9 a 19 de Agosto, a comissão de festas, presidida por José Silva, espera a adesão de milhares de pessoas a esta romaria, com uma tradição já antiga.

comissao-festas-sr-dores.jpgHá seis meses a trabalhar para a Festa em honra de Nossa Senhora das Dores, a comissão de festas tem já tudo preparado. José Silva e os restantes elementos responsáveis por manter "viva" a tradicional festa da cidade admitem "muito trabalho" durante o ano, mas não escondem a satisfação de poderem ver um bom resultado ao longo dos dias de romaria. Os fins-de-semana estão completamente preenchidos de trabalho, assim como os restantes tempos livres.

A iluminação já está ligada, os carrosséis instalados, as bandas contratadas e o fogo-de-artifício pronto a ser disparado. Um dos momentos altos da festa, a procissão, que se realiza no próximo domingo, está a ser preparado meticulosamente, pois todos os anos surpreende e este não pode haver excepções. Os andores já estão armados e as pessoas preparadas para encher de simbolismo o recinto do Parque Nossa Senhora das Dores e as ruas da freguesia de S. Martinho de Bougado.

São 11 dias de festa a que nenhum dos trofenses gosta de faltar. E segundo Armandino Dias Silva, vice-presidente da comissão de festas, "os dias 15, 16 e 17 são os três dias em que esperamos mais pessoas, é quando temos o Emanuel, a procissão e as sessões de fogo".

Segundo o vice-presidente a crise "afectou os peditórios porque houve uma diminuição de 25 a 30 por cento", por isso, os gastos foram menores, "mas decidimos apostar num bom cantor e reduzimos noutras coisas", contou. Mesmo com cortes financeiros e "tempos difíceis" todos os habitantes se esforçam para que as celebrações em honra da santa sejam um sucesso.

Apesar de "muito trabalho", José Dias, presidente da comissão, espera o sucesso do programa preparado e a adesão das pessoas.

Com cariz popular e religioso, as festas em honra de Nossa Senhora das Dores englobam várias actividades, para agradar todas as pessoas que as visitam. Assim, a comissão tenta atingir um consenso, sem nunca esquecer a tradição.

A festa contará com a Procissão em honra de Nossa Senhora das Dores, um concerto do Emanuel a sua banda na sexta-feira à noite e ainda com o fogo-de-artifício a fechar as noites de sábado e domingo.

Criatividade, imaginação e vontade são as palavras necessárias para uma festa bonita, que não fique atrás das anteriores. Apesar de muitos afirmarem que a festa não aguentará muitos anos, Armandino Silva relembra que os filhos da terra querem manter a romaria herdada através dos pais.

A aldeia da Gandra juntou-se para organizar a festa em honra de Nossa Senhora das Dores, à semelhança do que faz de dez em dez anos. Há uma década coube-lhe a tarefa e, se tudo correr bem, só em 2018 voltarão a repetir a dose. Entretanto a organização deverá passar pelas mãos de todas as aldeias de S. Martinho de Bougado. Para o ano é a vez da Esprela, seguindo-se Coroa, Real, Carqueijoso e S. Martinho, Paranho, Finzes, Castêlo e Bairro da Capela, Mosteirô, Valdeirigo, Paradela, Abelheira e Ervosa.

Esta tradição foi quebrada pelo menos por duas ou três anos, como em 2007, em que a aldeia de Ervosa não conseguiu organizar sozinha a festa. Decidiu-se então juntar o conjunto das dez aldeias e levar a bom porto os festejos.