Quando criou a Frezite, José Manuel Fernandes definiu três pilares para a actuação da empresa: inovação, internacionalização e qualidade. A sustentação nestes três pilares tem sido a chave do sucesso do grupo que tem um volume de negócios de 22 milhões de euros e exporta 60% da sua produção. A empresa fez ainda uma aposta no mercado externo, justificada pela necessidade de "marcar presença nos mercados onde estava o sector", pois, em Portugal, em 1978, a Frezite não tinha concorrência.

Actualmente, a empresa de engenharia para corte e transformação de materiais através de sistemas de ferramentas de precisão está a estudar a aquisição de duas fábricas em Inglaterra e Espanha. "O grupo está apostado em formar pequenas sucursais no estrangeiro para vender os nossos produtos e em ter uma  implementação mais directa junto dos nossos clientes", explica José Manuel Fernandes, que refere que "em países grandes, industriais, é preciso estar próximo da distribuição e dos clientes". Daí o reforço em Inglaterra, onde o processo está em fase mais adiantada. Já em relação a Espanha, a empresa da Trofa pretende comprar uma PME.

Além destes dois países, o grupo tenciona alargar a sua actividade ao mercado norte-americano, Báltico e Ásia. A entrada nos EUA está a ser preparada nas duas áreas de negócios: a divisão de madeiras (com a Frezite) e a divisão de metal (através da Frezite Metal Tooling – FMT).

Quanto à filial no Báltico, José Manuel Fernandes confessa que este é um objectivo que já esteve mais próximo da concretização. O grupo está a obter um bom desempenho na Rússia e tem vindo a estudar qual o passo seguinte: a abertura de uma filial naquele país ou num país vizinho. A Frezite preparava a abertura de uma unidade na Estónia, mas o recente conflito diplomático com a Rússia fez o presidente da empresa recuar. "Havia uma forte influência russa na Estónia. Esta quis reagir com a retirada da estátua aos soldados russos e percebemos como é que aquilo funciona", justifica.

E este até era, em termos empresariais, um bom mercado, já que o parceiro da Frezite na Dinamarca tem uma posição na empresa que o grupo português ia adquirir naquele país do Báltico. A estratégia está agora a ser revista.

As perspectivas para o futuro, diz José Manuel Fernandes, "têm obrigatoriamente de ser boas". E justifica explicando que os resultados a obter dependem muito da própria Frezite e não só de conjunturas internacionais ou outros factores externos à empresa. "Como estamos assentes numa base tecnológica avançada, permanente e com inovação, o futuro está muito do nosso lado", completa.

E para que o futuro seja positivo, José Manuel Fernandes recorda, de novo, os pilares da empresa: inovação, internacionalização e qualidade. "Porque só produzindo com uma grande qualidade e inovando constantemente é que poderemos obter resultados positivos", explica.

José Manuel Fernandes recorda que, quando a Frezite iniciou a sua actividade, não existiam em Portugal empresas do sector das ferramentas de corte. Por isso, sabia que tinha de estar atento a tudo o que se passava no sector. "Queríamos estar atentos ao que se produzia, mas ter também capacidade para injectar e melhorar substancialmente o que se fazia, queríamos ser inovadores", salienta.

Ao nível da qualidade, o empresário explica que a postura da Frezite sempre foi a de produzir bem, mas também manter uma relação com os clientes e fornecedores eticamente irrepreensível.

HELDER ROBALO

e JORGE MIGUEL GONÇALVES (fotos) / DN