Uma Carta Rogatória inglesa tem motivado que os órgãos de informação portugueses noticiem e especulem, diariamente, sobre o envolvimento do Primeiro-Ministro no processo Freeport.

afonsopaixao      Independentemente do sucedido, não me parece acertado que o Tribunal da Opinião Pública condene precocemente uma pessoa que, apesar do cargo que desempenha, não pode deixar de beneficiar da presunção de inocência.

      Sobretudo, depois de a Procuradoria-Geral da República ter informado o país que o Primeiro-Ministro não é arguido nesse processo, nem suspeito, de qualquer crime, não é justo que passe a sofrer com a presunção de culpa.

      Nesta fase havia que deixar que a Justiça faça as suas investigações e deixar conclusões para fase posterior.

      A crucificação de pessoas pelo Tribunal da Opinião Pública assemelha-se mais a uma tentativa de assassinato político do que propriamente a procura de justiça em sentido mais estrito.

      Estamos a trilhar caminhos perigosos e a eliminar pessoas de certos cargos onde podem ser muito úteis ao país. Precisamos de pessoas capazes e não é com as “presunções de culpa” que essas pessoas se interessam por esses cargos de alta responsabilidade.

     A segurança que o Primeiro-Ministro transmitiu, quando deu explicações ao país, é própria de quem nada teme.

     O trabalho do Primeiro-Ministro deve ser avaliado enquanto tal e não pode ser penalizado por um processo em que nem sequer é suspeito.

     Vale pelo seu trabalho e não por notícias especulativas.

     A avaliação do Primeiro-Ministro e do seu Governo deve ter em conta outros critérios.

     Cumpriu o que prometeu? Alcançou bons resultados? O povo está satisfeito? Está melhor? Está pior?

     Estes são, na minha opinião, e tendo em conta as informações da Procuradoria-Geral da República, os critérios de avaliação que deve nortear o povo.

     Os critérios jornalísticos de fazer justiça são diferentes do sistema judiciário. O sistema judiciário pode ter, e tem, muitas lacunas e mau funcionamento, mas é o melhor que temos.

     As alternativas não o podem substituir com vantagem.

     O combate político deve ser feito com armas políticas e em tempos de crise económica, até é mais fácil fazer críticas.

     Nunca podemos crucificar uma pessoa pública, que desempenha um cargo de alto relevo para o país, na praça pública.

     As informações disponíveis são no sentido da inocência.

     É com estes elementos que devemos raciocinar e não com outros. 

Afonso Paixão