Recentemente especialistas do EIU – Economist Intelligence Unit – vieram a Portugal para uma reunião/conferência, meio secreta, em que participaram o primeiro – ministro, o governador do Banco de Portugal e altos representantes de empresas como a Sonae, Alcatel, Bes, Mota Engil e outras. O que lá se tratou, apenas os deuses o sabem. Mas, por certo, não foi sobre as soluções para pôr fim ao flagelo do desemprego, nem sobre a edificação de uma sociedade justa, social e economicamente. Ao contrário, com toda a certeza, atanagildolobocozinharam-se as soluções para fazer face à actual crise do capitalismo, na perspectiva da manutenção do poder pelos senhores que o detêm e já acima apresentados.

 A par disto, Sócrates e o PS, para o povo e o grande publico, vão prosseguir e desenvolver o ilusionismo eleitoralista, progredindo no embuste do faz de conta, criando novamente a ilusão de que são de esquerda, com o único objectivo de enganar os trabalhadores para, no fim aplicarem a politica mais reaccionária e conservadora, tal como aconteceu com o actual governo. Como vimos, falharam todas as promessas eleitorais de substancia que constituíam o pacote do PS de há 4 anos atrás. A patranha maior, a da criação de 150 000 empregos, merecia lugar de destaque nas petas do século. Não só não criaram 150 000 postos de trabalho, como a diferença entre o emprego e o desemprego criados aumentou substancialmente, havendo muitos mais desempregados hoje do que em 2005. Com este governo aumentaram as desigualdades sociais, foram aniquilados direitos fundamentais, agravaram-se as assimetrias regionais, prosseguiu-se o desmantelamento do aparelho produtivo, das pescas e da agricultura. No entanto, os benefícios para os grandes e para os protegidos permanecem. As reformas e as retribuições chorudas dos grandes gestores desenvolveram-se, de que até é recente e excelente exemplo a recompensa suculenta de Armando Vara atribuía pela Caixa Geral de Depósitos.

 

O governo e o PS, para enganar quem trabalha e vive do seu salário, vai prometer ainda mais. Mas, na verdade, nem sequer aprovaram a proposta do PCP para alargamento do subsídio de desemprego, por forma a dele beneficiarem mais desempregados e por mais tempo. PS, governo e Sócrates rejeitaram que fosse alargado o período de concessão do subsídio de desemprego e o acréscimo deste subsídio nos casos em que os dois membros do agregado familiar sofrem a desgraça do desemprego. Sócrates encolhe-se, mostra-se incomodado quando questionado se «sim ou não ao alargamento do subsídio de desemprego para aqueles homens e mulheres que são novos de mais para chegarem à reforma e velhos de mais para encontrar emprego» conforme questionou recentemente Jerónimo de Sousa. Sócrates, mudo e quedo, não responde quando confrontado com o despedimento promovido pelo governo de 197 trabalhadores e com o futuro dos organismos em que se encontravam integrados: Viveiros de Trutas do Marão, Centro Nacional de Sementes Florestais, Escola de Sapadores Florestais da Lousã, Núcleo de Raças Autóctones da Herdade da Contenda, etc…

 

O embuste mais continuar… as promessas vão avançar…mas até as previsões avançadas pelo governo já vão ultrapassadas. O acima referido EIU, grupo que detém a revista The Economiste, já anunciou a contracção de 2% do PIB contra os 0,8% do governo e a taxa de desemprego a rondar os 10% contra os 8,5 % do governo.

 

Este ano de 2009 é ano de eleições. Também pode ser ano de mudança. O caminho terá de ser outro, bem diferente do vem sendo seguido. Estará mais uma vez nas mãos dos eleitores essa possibilidade.

 

Podem continuar a lá pôr a esmolinha. Mas é certo que com estes “santos” não haverá milagre…

 

Atanagildo Lobo