A Federação de Bancos Alimentares contra a Fome, está muito preocupada com o aumento dos preços alimentares, assim como outras organizações humanitárias portuguesas, que temem um quadro de fome em Portugal, ainda mais grave do que aquele que estamos a atravessar, neste momento. Para as famílias carenciadas que têm um rendimento mensal baixo, em que as despesas com a alimentação têm um peso enorme, a situação é deveras preocupante, embora os portugueses não devam entrar em pânico, nem ir a correr aos supermercados, porque isso só faria disparar ainda mais o preço dos produtos.

   O próprio presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social, o Padre Lino Maia, traça um cenário igualmente muito negro da situação social actual e garante que há cada vez mais gente a bater à porta das instituições da Igreja, para satisfazer as necessidades básicas.

Este responsável afirma que embora "não sendo catastrófico, o panorama é interpelante", acrescentando que "obriga a adopção de medidas enérgicas por parte do Governo" e deixa um desafio a José Sócrates "É essencial haver coragem para desonerar fisicamente os mais desfavorecidos e onerar os mais ricos".

O Governo e o partido que o apoia, o Partido Socialista, têm vindo a fazer "ouvidos de mercador" a esta questão social que já ultrapassou a fronteira do grave, pois já em Outubro de 2007, o INE (Instituto Nacional de Estatística) calculou em dois milhões. É verdade: DOIS MILHÕES DE POBRES EM PORTUGAL. Ou seja: um terço da população portuguesa, entre os 16 e os 64 anos é pobre e quase um milhão de pessoas passa fome diariamente.

As instituições de apoio social, são unânimes em identificar os novos pobres entre os desempregados e nos agregados, a contas com créditos à habitação cujas taxas de juro têm subido sucessivamente nos últimos anos. A estes acrescem os idosos, a soma dos custos com a medicação e a comida é superior a muitas pensões de reforma e por isso, muitos idosos preferem cortar nas refeições. Ficam, desta forma, mais dependentes da ajuda das organizações de solidariedade social como o Banco Alimentar, que ajudou, em 2007, mais de 232 mil carenciados.

"As pessoas estão com a corda ao pescoço", reitera Fernando Nobre, presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), que, no ano passado, apoiou mais de sete mil pessoas nos oito centros "Porta Amiga" existentes nas principais cidades do país. Destas, 85% pediram ajuda alimentar por dificuldades financeiras.

O próprio presidente da República sugeriu que a UE deve ter "força e capacidade" para intervir em "questões estratégicas", como a segurança alimentar.

Segundo um estudo intitulado "Pobreza e condições de vida em Portugal", estima que em média, para satisfazer as necessidades básicas alimentares seriam necessários 70 euros por mês; e "tendo em conta as necessidades básicas alimentares e não alimentares, o mínimo necessário, por indivíduo, seriam 214 euros". Segundo dados do Instituto de Solidariedade e Segurança Social, e segundo diferentes regimes contributivos, existem "mais de um milhão de portugueses reformados que contam com pensões que não cobrem o valor necessário para satisfação de necessidades básicas.

Esta situação tem de nos inquietar e obriga-nos a procurar encontrar novas soluções. Temos de dizer não à intolerável situação de fome em Portugal, de forma rigorosa e eficaz!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt