O nosso momento de glória

Confesso que, no início da época, ficaria muito satisfeito que o Trofense conseguisse a manutenção na 2.ª Liga.

  Entendi que, um clube que andou alguns anos entre a 3.ª divisão Nacional e a 2.º Divisão Nacional, ou 2.º Divisão B, a continuação na 2.ª Liga, ou Liga Vitalis, seria muito bom para a nossa dimensão.

O desenrolar do campeonato veio dar razão àqueles, poucos, que, em voz baixa, iam insinuando que o Trofense podia aspirar a voos mais altos.

À medida que o campeonato ia avançando, e o Trofense, teimosamente, se ia mantendo nos lugares cimeiros, foi aumentando a quantidade de pessoas que iam acreditando. E os que não acreditavam ainda, iam ficando orgulhosos com a carreira da equipa.

Já havia quem, conhecendo por dentro o clube, afirmasse que o Presidente da Direcção era ambicioso e detentor de enorme capacidade de organização e planeamento, como já o demonstrava na sua vida empresarial.

Se a essas qualidades adicionarmos uma grande capacidade de se rodear de pessoas com grande capacidade de fazer equipa de trabalho e uma dose de bairrismo já demonstrada ao longo dos tempos, teremos encontrado uma fórmula que levou a Trofa a ser falada em todo o país, por ter conseguido juntar-se aos grandes do futebol nacional.

Apesar disso, foram muitos os que, receosos, entendiam que a tarefa era dificílima, como era, e ficariam satisfeitos com uma boa carreira na Liga Vitalis, porque se trata dum campeonato com equipas de grande valor e era frequente que equipas que se preparavam para subir de escalão, viam-se a lutar para não descer.

É justo, por estas e outras razões, que se reconheça ao Dr. Rui Silva, e a todos quantos consigo fizeram a equipa dirigente, os méritos, que não são poucos, de tão grande proeza.

E não se trata aqui de cristãos novos. A Ricon é, desde há muitos anos, um dos principais patrocinadores do Trofense, chegando a ser quase único em épocas de menor entusiasmo dos associados e patrocinadores.

Manda a verdade que se diga que, ao longo deste tempo, nunca se viu uma ponta de arrogância. Pelo contrário, procuraram sempre mobilizar os adeptos e associados para o apoio ao clube e o entusiasmo foi crescendo à volta do Clube.

Muitas pessoas despertaram ao longo destas duas épocas porque viram trabalho, objectivos e, finalmente, resultados.

Muitas pessoas questionam-se sobre o que acontecerá quando os actuais dirigentes cessarem os seus cargos. Muitos afirmam que estão tranquilos enquanto os actuais dirigentes estiverem a gerir os destinos do clube.

As preocupações são, naturalmente, legítimas. Mas vamos acreditar no futuro. Afinal, o Trofense foi encontrando sempre pessoas que o trouxeram desde a 3.ª divisão Distrital até ao ponto em que se encontra agora.

Por ora, parece razoável que todos os trofenses saboreiem este momento. É bom que vivam esta euforia contida durante esta semana.

Depois, há que confiar que os dirigentes irão fazer o seu trabalho o melhor que sabem e podem e não deixarão de procurar soluções que nos permitam aguentar o impacto da primeira época na 1.ª Liga.

A História que está neste momento a escrever-se, constituirá, talvez, o período mais brilhante da vida do Clube Desportivo Trofense.

Ainda que o futuro nos possa trazer mais páginas brilhantes, e esperemos que sim, este ano é o ano da primeira ida à 1.ª Liga.

Depois da brilhante prova prestada pelo Clube Académico da Trofa, que voltou a sagrar-se campeão nacional de voleibol feminino, e a merecer o nosso contentamento e reconhecimento, o Trofense fecha a época com chave de ouro.

Este ano é o ano da Trofa.

A Trofa é, hoje, muito falada a nível nacional pelas melhores razões.

É bom assim. Faz bem ao nosso ego.

 

Afonso Paixão