O Coliseu Porto (que assim perdeu o “do”) iniciou uma operação de renovação de identidade e vitalização da imagem no passado dia 18, abrindo as portas ao público para uma espécie de festival-concentrado-numa-noite-e-dedicado-à-música-portuguesa. Com objetivo de ser o ponto de encontro dos vários públicos de espetáculo da cidade, a mítica sala permitiu o acesso a variados espaços do edifício para atuações de uma série de bandas que não seriam à partida as escolhas óbvias para atuações no Coliseu Porto.  

Denominando o evento de FLIC (Festa Lotação Ilimitada) o Coliseu juntou uma série de bandas capazes de atrair públicos que não são seus frequentadores habituais. Com as atuações a desdobrarem-se por vários espaços, o público circulou entre o Salão Ártico (anteriormente conhecido como Salão Ático), o Garden Saloon (anteriormente denominado Salão Jardim), a Sala Praça (conhecida como Sala Principal) e Monumental Foyer (Átrio). 

Memória de Peixe, dupla composta por Miguel Nicolau e Marco Franco, abriram as hostilidades no Salão Ártico com ainda muito pouco público a assistir, mas tal não desmotivou os artistas que demonstraram enorme energia e foram incentivando o público à vivência do espetáculo.

No Garden Saloon Les Crazy Coconuts foram os primeiros a atuar. A banda de Leiria com a atração de Adriana Jaulina no sapateado cativou pela energia, originalidade e estilo próprio.

De volta ao Salão Ártico foi a vez de B Fachada, que igual a si mesmo não deixou de a certa altura se mostrardescontente com a instalação de som, chegando a abandonar o palco. Fê-lo apenas por alguns segundos, regressando debaixo de muitos aplausos e uma enorme ovação. Uma atuação muito apreciada, que resultou num pequeno encore muito celebrado.

De volta ao rés-do-chão e ao Garden Sallon, encontramos uma sala a transbordar de fãs dos Black Bombaim. O concerto quase simultâneo dos Mind da Gap não lhes roubou público e a lotação da sala manteve-se quase sempre acima dos limites do aceitável. A energia em constante destilar esteve mais um vez presente na atuação da banda de Barcelos.

Neste mesmo espaço iriam atuar de seguida os Throes + the Shine, que também conseguiram a proeza de lotar o Garden Saloon. Uma energia sem limites, muita dança e muita originalidade caraterizaram a atuação da banda que mostrou enorme contentamento pela presença no evento. O público presente dançou sem parar, contagiado pela prestação em palco.  

Na Sala Praça o hip-hop fez as honras de abertura, primeiro com Mind da Gap e depois com Dealema. Dada a grande dimensão desta sala, e em claro contraste com os outros dois espaços, estas atuações decorreram numa sala pouco lotada. 

A fechar as honras dos concertos, Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman, apresentou-se com a energia e dedicação que já lhe são reconhecidas, tendo estado em constante comunicação com o público. Uma atuação irrepreensível, sem falhas.

Os vários DJ sets estiveram a cargo de LASERS, Fanfanash, Nitronious e Gin Party Soundsystem.

Ficou feita a promessa de repetição desta fórmula de espetáculo, que pretende assim reforçar a relação da sala com a cidade, com a região e com todos os cidadãos que a habitam e visitam, intensificando a programação acolhida e aí oferecendo maior variedade de eventos. 

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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