NT: Comparativamente com a experiência já adquirida com a retoma das aulas do pré-escolar e ensino secundário, que medidas foram tomadas agora para a retoma global dos alunos à escola?
Paulino Macedo (PM):
Todo o processo de organização do arranque do ano letivo foi um desafio para todos nós, alunos, pais e professores. Na sequência de orientações, muitas delas questionáveis porque de difícil operacionalização, da Direção Geral da Saúde e do Ministério da Educação, tivemos que por mãos à obra, começando por pensar um plano de ensino presencial e um plano misto e adaptar o anterior plano de ensino à distância à nova realidade com a necessidade de os articular entre si de modo a colocá-los em prática quando e se necessário.
Tivemos também de repensar o modo de dispormos os alunos nas salas de aulas, com a redistribuição de mobiliário pelas várias salas, correspondendo ao número de alunos em cada turma, alocada a uma sala. Este processo permite-nos preservar o efeito “bolha” em cada turma, evitando aglomerações e “misturas” de alunos.
Desafiamos a associação de pais de cada escola e colaborar connosco na tarefa de desenhar itinerários de circulação. Foi excelente a resposta e está à vista de todos o seu sucesso.
Construímos horários desfasados quer na entrada para as aulas, quer nas saídas, mas também no interior de cada escola e repensamos e alargamos os horários das escolas Professor Napoleão Sousa Marques e Escola Secundária de forma a acomodarmos todo o desenho curricular de cada ano de escolaridade num turno (manhã/tarde), fazendo com que os alunos tenham necessidade de permanecer apenas em um dia nos dois turnos.
Também ajustamos o serviço de cantina com o desfasamento dos horários de refeição e a possibilidade dos alunos que vão para casa, portanto sem aulas no turno da tarde poderem ser portadores da sua refeição em regime de takeaway.
Repensamos a forma e locais de higienização de todos os alunos, professores, funcionários e público em geral.

NT: Com que principais dificuldades teve o Agrupamento de se confrontar para conseguir cumprir as determinações das autoridades de saúde?
PM:
As grandes dificuldades estiveram nas infraestruturas. Salas de dimensão pouco adequada ao distanciamento social proposto. Mesas unipessoais insuficientes para todos os alunos da Napoleão Sousa Marques e Escola Secundária. Ao contrário do que acontece nas escolas do 1.º ciclo, em que as mesas são todas de lugar único, nessas duas tivemos que inventar layouts com mesas de duplo lugar para conseguir a distância exigida nas orientações da DGS. Fizemos das tripas coração…

NT: Se houver registo de casos de infeção nas escolas, como procederá o Agrupamento?
PM:
Desenhamos o nosso Plano de Contingência que está publicado na nossa página eletrónica e cada estabelecimento fez apropriação desse plano, integrando nele as adaptações que a especificidade de cada escola exige. Neste plano está plasmado todo o processo a considerar se um caso de infeção nos surgir. O encerramento do(s) estabelecimento(s) só será desencadeado após ordenamento da Direção Geral da Saúde Local.