Os 35 caminheiros da Escola Secundária da Trofa completaram as oito etapas e chegaram a Santiago de Compostela.

 “Uma experiência única na vida”. Este é o sentimento dos 35 caminhantes, entre alunos finalistas e professores da Escola Secundária da Trofa, que completaram as oito etapas até Santiago de Compostela.

Uma ideia para viagem de finalistas fora do normal, em que os jovens refutaram a habitual praia e noites de copos por uma experiência espiritual que os fez “crescer muito como seres humanos”. Esta é, pelo menos, a convicção da docente Rosa Manuela Araújo. “Em muito deve-se ao facto de terem de partilhar tudo, desde as tarefas inerentes ao bom desenrolar da atividade, como de se terem de ajudar mutuamente, nos momentos mais difíceis da caminhada”, referiu.

Que foi partilhada pela aluna Andreia Araújo: “Decidimos desfrutar de uma viagem de finalista um quanto divergente das habituais”. “Enquanto os dias iam passando, mais unido permanecia o grupo, os laços que se criaram entre alunos e professores é indescritível, a relação aluno/professor não fazia mais sentido, éramos um só, a quem podíamos chamar ‘amigo’”, declarou.

O dia começava cedo para os caminheiros. A alvorada acontecia por volta das 6.30 horas para o pequeno-almoço e a jornada começava cerca de uma hora depois. Com a interrupção mais prolongada apenas à hora de almoço, os caminheiros paravam ao fim do dia e aí dividiam tarefas: “Enquanto um grupo ajudava a descarregar a carrinha e outro grupo ajudava na confeção do jantar, os restantes alunos iam tomar banho e descansar”.

Antes de deitar, jovens e adultos “davas asas à sua imaginação e aos seus atributos vocais” num “momento musical”.

O aparecimento de algumas bolhas nos pés e “dores de joelhos” foram das principais dificuldades com que os caminheiros se depararam e que era minimizada por “todo o carinho da Filipa, a bombeira de serviço”, contou Rosa Araújo. A chuva que os acompanhou em toda a etapa de Redondela a Caldas dos Reis também foi um obstáculo. Já o “carro de apoio” foi a “constante preocupação”, para que “tudo estivesse pronto aquando da chegada dos caminheiros ao local de alojamento”. “O espírito de equipa reinava e com boa disposição e entreajuda, muitas das dores que iam surgindo foram convertidas em contentamento e satisfação de ter alcançado mais uma etapa. Dormimos em albergues onde vários momentos de descontração, música e animação foram proporcionados por todos”, contou a aluna.

O sentimento à chegada a Santiago de Compostela era um “misto de alegria e de dor”, revelou. “Foi o sentimento do dever cumprido, de terem conseguido atingir o objetivo traçado, foi o de terem sido capazes de o realizar e não terem desistido. Estes jovens vão longe nos seus propósitos de vida, assim lhes seja dada a oportunidade”, acrescentou.

A experiência foi tão enriquecedora que os alunos já acordaram realizar o trajeto Trofa-Rates-Sé do Porto, para assim terminarem o caminho central português.

Rosa Araújo considera que a caminhada a Santiago de Compostela poderá estender-se a outras turmas no futuro, mas salvaguardou que sem a ajuda de empresas parceiras seria impossível. “A todas, os nossos mais sinceros agradecimentos”, concluiu.

Para Andreia Araújo estes dias foram “definitivamente inesquecíveis”, não só por terem “chegado ao destino”, como também pela “confraternização que se instalou neste grupo, que prevalecerá decerto para muito tempo unido”. A aluna acredita que o lema “ Da Trofa a Santiago… caminhar, caminhar, caminhar”, “nunca mais será esquecido”.