Depois de uma primeira noite dedicada em exclusivo a projectos nacionais, o palco secundário do festival Paredes de Coura recebeu cinco actuações muito distintas: The Discotexas Band, Unknown Mortal Orchestra, Alabama Shakes, Bombino e Headbirds (DJ Set).

A noite de concertos foi inaugurada por The Discotexas Band, projecto nacional homónimo da editora lisboeta, e que conta com Moullinex, Xinobi, Da Chick e Luís Calçada. Assistiu-se a uma actuação repleta de funk e electro, com muito vigor e incitação à euforia, muito potenciada por Da Chick. Aliás, esta menina não passa de todo despercebida com a sua contagiante energia em palco, e pode-se afirmar que a sua presença é já muito segura e madura. O domínio do inglês, que Da Chick utiliza para estar em constante diálogo com o público, só não foi aplicado quando disse Paredes de Coura (estranhou-se que tenha sido dito sem sotaque). Fecharam o concerto com um muito dançável Maniac (música tão conhecida da banda sonora de Flashdance).

Seguiram-se os americanos / neo-zelandeses Unknown Mortal Orchestra de Ruban Nielson, Jake Portrait e Riley Geare. A banda surgiu em 2010 e conta já com dois álbuns em carteira, tendo trazido consigo o novíssimo II (sucessor de Unknown Mortal Orchestra de 2011). Deram um concerto intenso que deixou a sensação de ter sido curto demais. Uma actuação  repleta de música muito boa, onde se ouviu From the Sun, Swim & Sleep (Like a Shark), No Need for a Leader, The Opposite of Afternoon e How Can U Love Me. O trio (bateria, voz/guitarra, baixo) é consistente, pujante, e domina com uma certa mestria o que faz. Os solos de Nielson e a bateria de Geare arrancaram muitos aplausos, e as músicas apresentadas foram muito celebradas pelo público que entuou em coro alguns refrões, dançando, batendo palmas e acompanhando uma actuação electrizante. Ficou a promessa de um regresso a Portugal ainda este ano e a nossa vontade de ouvir mais desta banda indie, rock, psicadélica, saturada de groove e emoções, e tão mestre no uso do lo-fi.

Ao escutar  as canções dos Alabama Sakes e ao ver a sua actuação em Paredes de Coura fica-se com a sensação que a banda anda nisto há muitos muitos anos.  Não se podia estar mais enganado. A banda de Brittany Howard, Heath Fogg, Zac Cockrell, Ben Tanner e  Steve Johnson nasceu há apenas quatro anos. Já tinham estado entre nós na edição de 2012 do Super Bock Super Rock e traziam nessa altura o rótulo de revelação do momento.  Senhores de um som onde o rock e o soul convivem lado a lado com os amados blues, trouxeram-nos o seu álbum de estreia Boys & Girls (que já vendeu mais de 500 mil exemplares nos Estados Unidos, e que foi nomeado para três Grammy Awards nas categorias de Artista Revelação, Melhor Actuação Rock com o tema Hold On e Melhor Capa de Álbum). Uma actução repleta de calor e em que a combinação certa de blues, rock and roll e soul, nos transportou para o sul dos Estados Unidos.  A viagem dos Alabama Shakes trouxe-nos temas como Heavy Chevy, Be Mine, Rise To The Sun e Hold On, que incendiaram a plateia que os escutou ávida de fazer a festa e que respondeu com muito entusiamo. Uma banda que claramente tem prazer no que faz o que potencia a partilha e a convivência com quem os escuta e vê, tendo o palco secundário sido claramente pequeno para todos os seguidores da banda de Alabama que vinda de uma apoteótica actuação no Glastonbury repetiu a dose nas margens do Taboão.

Vindo da República do Níger, o tuaregue da tribo Ifoghas Omara “Bombino” Moctar rendeu os americanos Alabama Shakes no palco Vodafone FM. Depois de ter passado por Portugal em 2012, o africano Bombino, agora “apadrinhado” por Dan Auerbach (Black Keys)  cantou no idioma tuaregue tamasheq, acompanhado de três músicos de apoio. Guitarrista autodidacta, Bombino, que reparte o seu tempo entre a música e o pastoreio, encanta pela simplicidade da sua aprendizagem musical. Aprendeu e aperfeiçoou o estilo assistindo a vídeos de Jimi Hendrix e Mark Knopfler. Bem longe da sua cidade natal Agadez, Bombino e os seus músicos de apoio animaram o público de Paredes de Coura, que mesmo em menor número que na actuação anterior simpaticamente acolheu o africano.

A segunda noite do festival encerrou com a actuação do DJ Headbirds, que facultou a banda sonora para os resistentes da noite.

Texto: Joana Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

Fotogaleria (clica nas imagens para aumentar)

{phocagallery view=category|categoryid=22}