O 20º aniversário das Noites Ritual ficou marcado por quatro excelentes concertos de quatro bandas nacionais bem representativas do novo panorama musical do nosso país.

O público afluiu em massa ao evento, transformando os jardins do Palácio de Cristal numa festa da música, nacional nesse caso, num ambiente que se pode dizer bucólico. O tempo ajudou bastante, presenteando-nos com uma magnífica lua cheia como que a brindar aos 20 anos das Noites Ritual.

A primeira das noites arrancou ao magnífico som dos Dead Combo acompanhados da Royal Orquestra das Caveiras. A banda dos míticos Tó Trips e Pedro Gonçalves deu um memorável concerto, cheio de energia e magnificência sonora. O caldeirão de influências da banda de Lisboa, transporta-nos para um universo que mistura filmes de cowboys com fado e blues á mistura, numa simbiose quase perfeita e extremamente apetecível. A participação de Paulo Furtado(Wraygunn) foi muito apreciada e este concerto foi muito aplaudido pelo público que foi brindado por uma performance brilhante  dos Dead Combo.

Coube aos Wraygunn a honra de fechar a noite. A banda de Coimbra, liderara pelo lendário Paulo Furtado, deu um concerto a abrir, com uma força e energia estonteantes. A participação especial de marta Ren contribuiu ainda mais para um concerto louco, bem á maneira dos Wraygunn. A banda foi atirando temas do seu vasto reportório, atiçando e pondo em alvoroço um público que estava ávido de Rock & Roll.

Foi ponto alto deste concerto foi quando Marta Ren, Raquel Ralha e Selma Uamusse, incitadas por Paulo Furtado, resolveram fazer crowd diving, passeando em cima do público enquanto continuavam a cantar alegremente.Um final de noite energético e estonteante, marca indelével dos Wraygunn.

A segunda noite arrancou de forma diferente. Um pouco mais tarde que a hora marcada, com um público já ao rubro para os Paus. A banda de Hélio Morais e Quim Albergaria, com as suas baterias siamesas, mostrou aqui que a sua verdadeira força é ao vivo. Contundentes, fortes, extremamente compenetrados numa folia de beats fortes e sólidos, os Paus foram tudo isto e muito mais, despertando a veia dançável de um público atento e ruborizado por esta excelente performance.

A fechar a segunda noite e também as Noites Ritual 2012, A Naifa. Serão poucas todas as palavras para descrever este concerto. A perfeição melódica e a inspiração divina da banda reflectem-se numa performance que tocou a perfeição. Sublimes na interpretação dos temas, e na encarnação de uma entidade maior que a vida, cheia de portugalidade lactente e de uma beleza quase carnal e que faz aquecer o sangue que corre nas veias.

No público a reação era de escuta activa e atenta. Viu-se que a intensidade das canções interpretadas que o levou a entrar numa espécie de êxtase sentido até aos ossos.

 Bela forma de fechar estas Noites Ritual 2012, que voltarão para o ano, com certeza, com mais concertos de boa música portuguesa.

Texto: Ângelo Ferreira

Fotos: Miguel Pereira

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