No segundo dia de MEO Mares Vivas, as portas abriram-se ao sol naquilo que prometia ser uma noite memorável.

The Lazy Faithful e Valas foram os primeiros a dar música. Seguia-se João Só, no Palco Santa Casa, que surgiu solto e alegre para dar voz a “É P’ra Ficar”, “A Marte” e “Sorte Grande” e contou ainda com a ajuda do público para um cover de Carolina Deslandes com “Não É Verdade”. Ainda nesta noite, Traço, OnStage, Eva RapDiva e Dj Oder haveriam de dar música no Palco Santa Casa e Bloco Moche. Já a comédia ficou a cabo de João Pedro Pereira, Gabriel Mendes, Ruben Branco e Miguel Sete Estacas no palco RTP Comédia.

Don Broco, pela primeira vez em Portugal, chegaram para conquistar! Com uma energia contagiante, trouxeram o último álbum “Technology” e muita raça ao palco principal do Meo Marés Vivas. Pediram saltos, organizaram moches e deixaram o público ao rubro. O concerto terminou com camisolas ao ar ao som de “T-shirt Song” e uma enorme ovação que o vocalista Rob Damiani não deixou passar sem apreço, desfazendo-se em agradecimentos e elogios aos festivaleiros.

Já com o chão quente, Carlão pisou o placo para festejar o aniversário com o público do MEO Marés Vivas, que apelidou como “bela prenda”. No dia em que completou 44 anos, Carlão prometeu “Partir a Casa Toda” e cumpriu. Ao lado do vozeirão de Bruno Ribeiro, o ex-Da Weasel mostrou como se faz bonito em palco com “Agulha no Palheiro”, “Contigo” e “Os Tais”. E por falar em Da Weasel, não faltou “Dialectos de Ternura” numa nova roupagem com ritmo ainda mais alucinante para fechar de forma animada aquele que foi para muitos um dos melhores concertos da noite.

Seguiria-se Mando Diao, não em completo, mas em bom. Um inesperado “intervalo técnico” ao final da terceira música, que se tornou talvez maior do que o desejável, mas certamente não além do necessário, ameaçou encurtar a atuação dos suecos. Eis senão quando, Björn Dixgård e os companheiros surgem junto às grandes de guitarras em punho para, mesmo sem sistema de som, dar corpo à música que só os privilegiados das primeiras filas conseguiram ouvir. O público agradeceu a preocupação da banda não arredando pé por longos minutos até que tudo estivesse reestabelecido e Mando Diao responderam em rock and roll. “Mr Moon” e “One Last Fire” foram algumas das músicas que desenrolaram até se chegar à esperada “Dance With Somebody”.

E Ornatos Violeta chegaram! Regressaram para um concerto com muitos “pis”, com muitas vozes em uníssono, com muitos abraços de saudade, com convidado e três encore. De tudo isto foi feito o momento mais aguardado da noite, que contou com o “Cão”, o “Monstro Precisa de Amigos” e mais umas quantas off the record. “Chaga”, “Dia Mau”, “A Dama Do Sinal”, “Capitão Romance”, “Coisas”, “Para Nunca Mais Mentir” e tantas outras foram cantadas por Manel Cruz e milhares de festivaleiros de todas as idades. “Ouvi Dizer” a merecer um destaque especial, não só pelo carinho que reúne junto do público, mas por ter contado com Carlão a declamar o poema que nos faz “lembrar que o amor é uma doença, quando nele julgamos ver a nossa cura”.

A noite das memórias do MEO Marés Vivas terminou assim, tão quente e emocionante quanto o expectável, com um gostinho a saudade de quem fez a espera valer a pena. Ornatos regressaram em bom (tão bom!) e bem que podiam voltar para ficar.