A primeira edição do FIGA – Festival Interatlântico da Gaita-de-Foles decorreu no Porto entre 23 e 27 de Abril, com um programa variado que incluiu concertos didáticos (nomeadamente em escolas), animação de rua e concertos em espaços de eleição da cidade, como o Salão Árabe do Palácio da Bolsa e a Igreja de S. José das Taipas.

O concerto no belíssimo Salão Árabe do Palácio da Bolsa contou com a atuação de duas bandas portuguesas: Realejo, na primeira parte, e Arrefole na segunda. O “intervalo” foi abrilhantado por uma atuação especial do espanhol Pablo Carpintero, que caminhando na varanda do salão animou e muito o momento de pausa. No intervalo, e finda a atuação, fomos convidados a nos deslocar até às janelas do primeiro piso para ver uma atuação de um grupo de Pauliteiros de Miranda no piso térreo no átrio do Palácio da Bolsa.

O grupo Realejo, criado em Coimbra, em 1990, combina sonoridades da música tradicional portuguesa e europeia. Daqui resulta um trabalho de excelência que conta com instrumentos acústicos e tradicionais, alguns deles criados por um dos músicos, Fernando Meireles (que toca sanfona, bandolim e cavaquinho). Jorge Queijo (percussão), Amadeu Magalhães (gaita de foles, flautas, braguesa, concertina, bandolim, cavaquinho) e Miguel Veras (viola) foram os restantes elementos presentes. A vocalista Catarina Moura não pode estar participar na atuação, pelo que assistimos a um concerto acústico, mas que muito impressionou pela beleza das melodias. De bónus, recebemos a empatia que Amadeu facilmente cria com o público, e a pérola da noite na atuação do pequeno Fernandinho (filho de Fernando Meireles). que dominando o violino espantou todos com a graça infantil dos seus sete anos.

Pablo Carpintero é um dos principais estudiosos da gaita-de-foles galega, sendo douturado pela Universidade de Santiago de Compostela. Recolheu e gravou mais de 150 gaiteiros tradicionais da Galiza ao longo do seu percurso de estudo sobre este instrumento. Tem também construído réplicas de instrumentos de toda a península, incluindo de Coimbra e Miranda. É um reputado construtor e músico, reconstruindo com os seus instrumentos sonoridades ancestrais. 

Arrefole, grupo português de Daniel Pereira, Gonçalo Cruz, João Conceição e Nuno Flores com cerca de uma década de existência, presenteou-nos com a sua boa disposição e com belos temas do seu reportório. Valsa / Murinheira, Weekend, Metronomo, Amendoeira, A Calma Cai, Baltics, Arrebirachula, Gutlics, Pandeiro, Campa das Nitas, Azeitona Galeguinha eMarinheiro constituíram o muito apreciado alinhamento da noite.

A iniciativa do Festival foi da responsabilidade da Cooperativa do Povo Portuense, que pretende ir além da mera homenagem à gaita-de-foles, e ser, em poucos anos, uma imagem de marca da cidade e região, bem como um marco internacional no que toca à celebração deste instrumento centenário.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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