Na noite de 15 de Abril a Casa da Música encheu para celebrar o regresso d’A Resistência de Alexandre Frazão, Fernando Cunha, Fernando Júdice, José Salgueiro, Mário Delgado, Miguel Ângelo, Olavo Bilac, Pedro Ayres Magalhães, Pedro Jóia, Rui Luís Pereira e Tim. Este reencontro dos músicos com a cidade do Porto, inserido na digressão Palavras ao Vento, resultou da vontade dos músicos de apresentarem as canções de sempre em ambientes mais íntimos, como a sala Suggia, incontornável espaço de espetáculos na cena musical da Invicta.

A Resistência, um mega grupo de músicos portugueses, provenientes de diversas bandas, uniu esforços e talentos entre o final da década de 80 e o início da década de 90. Dedicados à reinterpretação de temas de bandas já existentes, como, por exemplo, Rádio Macau, Xutos & Pontapés, Delfins, Sitiados, Heróis do Mar, Madredeus, Trovante, António Variações e Zeca Afonso, o projeto dedicou-se à transformação, adaptação e nova orquestração de temas que foram assim trazidos para uma vertente mais acústica, com maior foco na voz (que se assume como um instrumento) e onde as palavras saem valorizadas e renovadas através de novos arranjos. A interpretação de temas existentes pel’A Resistência dotou-os de uma vida nova e uma alma genuína. E foi com esta memória das canções que fazem parte da história da música nacional, que o projeto se reuniu para uma nova digressão que nos traz a beleza de melodias familiares e a força das palavras que as acompanham, para encontros íntimos e intensos com o público de sempre.

E o que não falhou na noite de ontem foram as músicas que marcam a história da banda, como Nasce Selvagem, Não Sou o Único, Um Lugar ao Sol, Circo de Feras, Marcha dos Desalinhados, Aquele Inverno e Noite. A Resistência, entretanto, tem estado já a trabalhar em novo material que deverá ser reunido em disco até ao final do ano. Ao longo da tournée Palavras ao Vento o mistério que cobre este regresso aos discos deverá ir sendo levantado e o grupo que tinha prometido algumas surpresas no alinhamento dos concertos, fez surgir ao lado dos hinos conhecidos, alguns dos “temas novos”, como Cidade Fantasma, Vai sem Medo e Deitar a Perder. Ao fim de quase duas horas de concerto, o público da Casa da Música levantou-se para aplaudir a atuação e, obviamente, pedir o encore, que com três hinos (Um Lugar ao Sol, Noite, Nasce Selvagem) não deixou ninguém sentado ou indiferente. Porque há músicas que fazem parte da nossa vida e que sempre terão um lugar especial nas nossas memórias; e A Resistência cantou (e canta) muitas dessas canções.

Depois do concerto na Invicta na noite passada, seguiu-se um novo concerto hoje à noite em Lisboa. Ainda este mês haverá concertos no dia 19 em Braga e a 27 na Figueira da Foz.

Alinhamento

Mano a Mano
Nasce Selvagem
Fado
Amanhã é Sempre Longe
Timor
Circo de Feras
Marcha dos Desalinhados
Vai sem Medo
Deitar a Perder
Aquele Inverno
Só no Mar
Ser Maior
Liberdade
Finisterra
Perigo
Cidade Fantasma
Chamaram-me Cigano
Não sou o Único
Um Lugar ao Sol
Noite
Nasce Selvagem

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

Fotogaleria (clica nas imagens para aumentar) 
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