A 11ª edição do Festival de Concertinas e Tocadores ao Desafio da Trofa contou com cerca de 200 participações.

O pequeno Rafael Silva foi um dos mais novos a subir ao palco para participar no Festival de Concertinas e Cantares ao Desafio da Trofa, que decorreu no sábado, no Monte de Santa Eufémia, em Alvarelhos. Com nove anos de idade, começou a aprender a tocar concertina há sete meses e nunca mais parou. O festival da Trofa foi o nono em que participou. “Fui eu que quis aprender porque desde pequeno que gosto disto”, garantiu. De concertina ao peito, Rafael confessou que “é um bocado difícil aprender”, sobretudo a “mexer com os dedos”. No entanto, essas dificuldades não transpareceram quando o rapaz tocou “O António”, a sua música preferida.

As irmãs Sofia e Catarina Sá começaram a aprender para atingir outros objectivos. “Nós temos cavalos em casa e eu sempre quis ter um coche. O meu pai ofereceu-mo na condição de eu aprender a tocar concertina, pois era uma coisa que ele gostava muito. Com a minha irmã, foi uma história semelhante, pois ela queria uma viagem. A condição foi a mesma”, explicou Sofia. O facto de ser um instrumento que poucas mulheres aprendem a tocar não incomoda as jovens. O motivo para que poucas saibam tocar, explicou Catarina, prende-se com o facto de “antigamente” os homens serem os “únicos a tocar nas desfolhadas”. Hoje em dia é diferente: “Os homens adoram-nos e somos o centro das atenções, precisamente porque existem poucas mulheres a tocar”.

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Fernando Monteiro já perdeu a conta ao número de festivais em que participou. A concertina que trazia ao peito tinha estampada a bandeira portuguesa no fole, mas o tocador “nem sabia, porque fica sempre longe da vista”, contudo, “se a tem, é com muito gosto e prazer”. Para tocar concertina, garante, basta “ter dedos, um instrumento e saber de música”. “Como tudo na vida, nada é fácil, mas aprender a tocar concertina não é assim tão difícil. O que é preciso é paixão”, defendeu. “Nos últimos três anos” tem sido mais fácil encontrar tocadores, porque “há mais pessoas a querer aprender a tocar instrumentos”.

Mas a tarde de sábado não ficou apenas marcada pelo som das concertinas. Os cantares ao desafio animaram as centenas de pessoas que subiram o monte para assistir ao festival. Aurélio Martins e Olinda Azevedo são trofenses e foram dos primeiros cantadores a subir ao palco. Olinda explicou o que é preciso para cantar ao desafio: “É preciso ter as ideias muito apuradas e uma boa garganta”. “É elas (quadras) virem à cabeça e atirá-las logo, quando saem boas”, acrescentou.

Aurélio foi um dos responsáveis pela criação do festival há 11 anos, quando a Trofa já era concelho. “Já canto há alguns anos e participo em vários festivais, por isso contactei a Câmara Municipal para organizar uma iniciativa do género no concelho”. Apesar do festival ainda não ter terminado, o organizador considerava que “estava a correr bem”.

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Assis Serra Neves, vereador da Cultura da Câmara Municipal, estava satisfeito com a adesão dos participantes e do público: “Este ano aderiram muitos participantes, mais do que em anos anteriores”. Este festival é o reavivar das tradições das Festas de Santa Eufémia, uma romaria “bastante popular, com raízes muito antigas”. “O Festival de Concertinas e Cantares ao Desafio da Trofa é já conhecido em todo em país”, evidenciou o autarca.