O lugar de S. Roque, em Alvarelhos, recebeu centenas de pessoas que fizeram questão de participar nas festas em honra do santo que dá o nome ao lugar, que decorrem há 50 anos.

As mulheres atarefadas a fazer o tapete de flores nas estradas davam sinal de que a procissão iria começar em breve. Cerca das 16.30 horas de domingo, ultimavam-se os pormenores para que tudo estivesse pronto para honrar S. Roque, no lugar com o mesmo nome, em Alvarelhos. As pessoas juntavam-se no exterior da pequena capela, enquanto aguardavam que o pároco da freguesia, José Ramos, desse início à cerimónia religiosa.

As festas em honra de S. Roque realizam-se há 50 anos e as comemorações de 2010 não podiam deixar de assinalar esta data. Incorporados na procissão, seguiam os primeiros juízes das festas e o único representante ainda vivo da primeira comissão de festas. Américo Moreira foi um dos festeiros que começaram com as festas e iniciaram essa tradição no lugar. Augusto Quelhas e a esposa Deolinda (que há 50 anos era a namorada) foram os primeiros juízes das festas em honra de S. Roque. Cinco décadas passadas, foram os netos Susana e André Araújo, que deram continuidade ao legado e foram os juízes da festa deste ano. Os dois irmãos de 15 e 21 anos, respectivamente, são de Alvarelhos e aceitaram o convite da Comissão de Festas para ocupar o mesmo lugar que os avós assumiram na primeira celebração realizada. Esta união de gerações distintas mostra “o empenho das pessoas nas festas”. Adriano Teixeira é um dos 11 elementos que compõem a Comissão de Festas deste ano e garantiu que apenas está “a dar continuidade a um trabalho que começou há 50 anos”.

Depois de terminada a procissão e enquanto a fanfarra fazia a despedida, Adriano Teixeira garantiu que as festas “correram muito bem”. “Estivemos à altura de apresentar o que as pessoas queriam e não podia ser melhor”, atestou. Para preparar as festas, a comissão começou a trabalhar “logo que terminaram as comemorações do ano passado”.

Ano após ano, as comissões de festas esforçam-se para manter viva uma tradição com meio século de existência e Adriano Teixeira acredita que, mais uma vez, “o objectivo foi alcançado”. Todavia, “é complicado conciliar tudo, pois há pessoas empenhadas em muitos serviços ligados à paróquia e não se pára durante um ano inteiro”. Por isso, anunciou que esta comissão de festas “não vai continuar”. “Três anos (a preparar as festas) é suficiente. Está na altura de legar as festas a outros”. Este alvarelhense do lugar de S. Roque, afirma, no entanto, que “não vão acabar as festas”. “Está tudo nas mãos de S. Roque e ele sabe…”, desabafou.

 

Animação e fogo-de-artifício marcaram dias grandes das festas

Ao longo de vários dias, as festas em honra de S. Roque marcaram o dia a dia de quem vive naquele lugar. Depois de inaugurado o novo altar da capela, a iluminação colorida deu nova vida às ruas. No entanto, a música foi o que mais pessoas chamou a S. Roque. A noite de sexta-feira foi destinada às actuações dos ranchos folclóricos de Alvarelhos e da Trofa. Danças de coluna, em roda ou em quadra encheram os olhos dos que assistiam. As músicas populares eram trauteadas pelo público e remetiam para os primórdios das festas, 50 anos antes.

No sábado, foi a vez do agrupamento musical “Os Solitários” dar música a todos os que se deslocaram ao lugar de S. Roque. Essa noite terminou com uma sessão de fogo-de-artifício, que “encantou” a população. A Comissão de Festas recebeu elogios sobre a sessão de fogo e Adriano Teixeira não escondeu que “é muito agradável” quando isso acontece.