Ajuntamento das cruzes e cortejo foram os momentos altos da festa da Páscoa, em Cidai. Na segunda-feira, o folclore da terra animou o largo.

 “A criança de sete a dez anos já conduz os bois, guarda o gado, apanha lenha, acarreta, sacha, colabora na cultura. Tem a altura de uma enxada e a utilidade de um homem. Sai de madrugada, recolhe às trindades, com o seu dia rudemente trabalhado.

Mandá-lo à escola, de manhã e de tarde, umas poucas de horas, é diminuir a força produtora do casal. Um aluno de mais na escola é assim um braço de menos na lavoura. Ora uma família de lavradores não pode luxuosamente diminuir as suas forças vivas.

Não é por o filho saber soletrar a cartilha que a terra lhe dará mais pão. Portanto tiram a criança à escola para a empregar na terra”. Este excerto de “Uma Campanha Alegre”, de Eça de Queirós, serviu como pano de fundo à exibição dos elementos do Grupo de Tradições Infantis de Cidai, o anfitrião no segundo dia das festas da Páscoa desse lugar, na freguesia de Santiago de Bougado.

Na tarde de segunda-feira, as crianças apresentaram uma roupagem e músicas novas, marcando uma nova fase da vida do grupo que foi o primeiro a atuar, na segunda-feira, 1 de abril. Seguiram-se os ranchos da freguesia: Grupo de Danças e Cantares e Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado.

Com “alguma dificuldade”, a ACRESCI (Associação Cultural Recreativa e Social de Cidai) preparou um orçamento para realizar as festas da Páscoa, cujo momento alto aconteceu ao fim da tarde de domingo, com o ajuntamento das cruzes, junto à imagem de Nossa Senhora de Fátima, no Largo Manuel Canejo.

Esta é uma “tradição” que a associação faz questão de manter viva. Depois do ajuntamento, segue-se o cortejo das cruzes, com as campainhas a tilintar até ao fim da rua. “Foi extraordinário. O desafio foi cumprido e teve muita adesão”, contou José Carlos Costa, presidente da ACRESCI.

“A coletividade nasceu para garantir e fomentar as tradições, trazendo outras novidades. Mas a Páscoa é a tradição mais antiga de Cidai e tem toda a lógica que a associação não deixe acabar esta festa”, acrescentou.

A Junta de Freguesia de Santiago de Bougado “ajudou bastante” a preparar a festa, sublinhou José Carlos Costa. “Temos ajuda de outros, como a Câmara Municipal que tem colaborado assim como a população”, afirmou.