Este ano, o número de figurantes na procissão em honra da Nossa Senhora das Dores vai rondar os 150. Padre Luciano Lagoa fala da fé que une os trofenses.

“É uma festa que une todos os trofenses no amor à Senhora das Dores e que, verdadeiramente, toca o coração de todos”. É desta forma que Luciano Lagoa, pároco da freguesia de S. Martinho de Bougado, descreve a festa em honra de Nossa Senhora das Dores.

As festividades centenárias congregam um grande número de pessoas que, de acordo com o pároco, “ainda que não vivam intensamente a sua fé, têm uma oportunidade de vivência da fé em Nossa Senhora”.

Mas se mais motivos fossem necessários para comprovar a devoção do povo trofense para com a Nossa Senhora das Dores, no Septenário de preparação vê-se “a intensidade da participação”. “Esta é uma devoção realmente muito enraizada e que mesmo fora desta época festiva se evidencia nas muitas imagens que existem nas casas particulares e nas muitas pessoas que diariamente demandam a Capela para cumprirem as suas promessas ou, simplesmente, para rezar junto da imagem”, acrescentou Luciano Lagoa.

Até à Capela ruma também a procissão que é um dos pontos altos das festas. A sua organização obedece a um esquema já estruturado e o destaque vai para a imponência dos andores. Mas a procissão pretende ser também didáctica, ou seja, evangelizadora, pois cada um dos quadros de figurantes é uma ilustração da vida de Maria”: “Descreve as suas tradicionais sete dores e talvez fosse bom que as pessoas reparassem nestes pormenores interessantes”. Este ano, o número de figurantes, que vão constituir cada um dos quadros bíblicos, ronda os 150, mas não são os únicos que participam nesta iniciativa. “Além destes, temos todos os outros participantes: escuteiros, pessoas que levam os andores, os estandartes, as cruzes, pálio, etc., bem como as autoridades, bandas de música e as pessoas que se incorporam livremente. São muitas centenas de pessoas”, explicou.

É com base no livro do “Eclesiastes” que Luciano Lagoa explica que “é possível conciliar os valores espirituais com as actividades profanas”. “Há tempo para tudo. Considero como um valor, o facto de se proporcionar momentos de lazer, convívio e divertimento às pessoas”, acrescentou.

A música clássica ou erudita dos concertos das bandas musicais ou mesmo a descoberta de novos talentos locais, como o Festival da Canção, são mais-valias apontadas pelo pároco, que acredita que se tudo for apresentado “com dignidade”, as festas “não deixam de ser divinas”. “Deve existir o devido respeito pelo fundamento das festas, que é, e será sempre, o culto a Nossa Senhora das Dores”, frisou.

Falando no trabalho levado a cabo pela Comissão de Festas, Luciano Lagoa adianta que o devido seguimento tem sido dado pelos trofenses: “O grupo de pessoas dos lugares de S. Martinho, Carqueijoso, Real e Corôa tem sido muito organizado, trabalhador, leal para com o pároco e muito responsável nos serviços que vai levando a cabo”.

As tarefas têm sido “levadas a bom porto” e, por isso, Luciano Lagoa pede o “apoio e incentivo” aos membros da Comissão. Isto porque, “apesar de tudo o que foi dito, nota-se alguma dificuldade em arranjar elementos para fazer parte das várias comissões que presidem a esta festa”, comentou. E porque a romaria “é de todos os trofenses”, o pároco lançou o desafio “aos jovens para que saiam dos seus esquemas mesquinhos de vida e venham participar e conviver nesta e noutras organizações”.

Quanto à requalificação dos Parques Dr. Lima Carneiro e Nossa Senhora das Dores, que deverá avançar em Janeiro do próximo ano, o pároco também fez ouvir a sua vontade: “Seria bom que nas futuras obras de requalificação dos parques se tivesse em conta as características únicas destas festas da cidade e se conservasse a envolvência necessária para o desenvolvimento harmonioso das mesmas”.

“A história de S. Martinho de Bougado e da Trofa está intimamente ligada ao culto e romaria de Nossa Senhora das Dores; não deixemos esmorecer o nosso amor a esta Senhora, que vive connosco as dores, sofrimentos, angústias e tribulações de cada dia e é seguro conforto em cada um dos nossos passos”, concluiu.