Festas em Honra de Nossa Senhora do Desterro arrancam esta sexta-feira. Comissão de Festas apostou em algumas novidades para reavivar tradição.

“Demos o nosso melhor, se não foi possível mais foi porque, realmente, não pudemos e não tínhamos dinheiro”. É desta forma que Paulo Moreira resume um ano de trabalho de 12 pessoas que puseram os pés ao caminho para realizar as Festas em Honra de Nossa Senhora do Desterro, em Bairros, Santiago de Bougado. O responsável da Comissão de Festas confessou que “agora” percebe que esta é uma tarefa que “não é fácil”, mas mesmo assim, acredita que a festa deste ano “está bastante melhor do que as anteriores”.

As festas arrancaram na segunda-feira, com o início da Semana de Pregação, marcada para as 21 horas. A cerimónia decorre até sexta-feira, 29 de abril. No mesmo dia sobe ao palco o Grupo Musical Santa Cristina, às 22 horas. O dia seguinte começa às 8.30 horas, com a entrada do grupo Juventude em Força, que vai percorrer a freguesia. A noite começa com o Grupo Sons e Cantares do Ave, que atua às 21 horas. Zé Amaro e a sua banda sobem ao palco às 22 horas. À meia-noite está prevista uma sessão de fogo de artíficio. No último dia de festa, a Banda de Música de Vila Nova de Famalicão entra às 8.45 horas, estando programadas várias atuações ao longo do dia. Às 10.30 horas vai ser celebrada Missa Solene, com sermão a Nossa Senhora. Às 17 horas, está programada a Oração da Tarde, seguindo-se a procissão, com “grandiosos andores, dezenas de anjinhos e expressivas alegorias à vida de Nossa Senhora”. Às 18 horas, volta a atuar a Banda de Música. Às 21 horas, atua o Rancho das Lavradeiras da Trofa e o Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado. O fim de semana termina com uma sessão de fogo, às 23.30 horas. A 7 de maio, está previsto um almoço convívio, às 13 horas.

“Temos um programa razoável, com duas noitadas com fogo de artifício e uma boa banda de música. Também fizemos uma aposta mais forte na vertente religiosa da festa, tendo criado um percurso maior para a procissão. A iluminação, só pela quantidade, é superior à de outros anos”, destacou Paulo Moreira. A presença de um grupo de Zés Pereiras e de guardas da GNR a cavalo são outras das novidades da romaria deste ano.

Uma das primeiras decisões tomadas por esta Comissão de Festas foi a sua formalização enquanto associação sem fins lucrativos, com a criação de estatutos e a “possibilidade de passar recibos às empresas que deram patrocínios”. “Mesmo tendo sido um pouco mais trabalhoso, esta formalização acabou por ser vantajosa, porque assim também conseguimos as licenças gratuitas a nível de câmara municipal, uma vez que é uma associação sem fins lucrativos”, adiantou Paulo Moreira.

Ao longo de um ano, a Comissão organizou várias atividades para angariar fundos, mas o resultado ficou aquém das expectativas: “Trabalhámos tanto e não foram muitas as pessoas a aderir às iniciativas”. “A maioria da população achava que as festas estavam um bocado abandonadas, por isso pensavam que não valia a pena contribuir, porque não se fazia nada”, acrescentou Paulo Moreira. No entanto, o responsável reconheceu que “não se pode fazer a festa sem dinheiro”, dando valor ao trabalho desenvolvido nos anos anteriores: “É tudo muito caro. Um orçamento geral para a festa, em números redondos, situa-se próximo dos 20 mil euros”.

Esta comissão volta a organizar a festa para o próximo ano, uma vez que esse foi o “compromisso assumido”, no entanto, Paulo Moreira garante que, “se fosse agora”, pensaria duas vezes, já que “as pessoas podiam dar um bocadinho mais”. “Se calhar para o ano, ao verem o esforço que nós fizemos, até poderão ajudar mais”, vaticinou, esperançado. De facto, “a maioria das pessoas diz que este grupo está a trabalhar bem e até a colocar a fasquia um bocadinho alta de mais”, pois receiam que “as pessoas não dêem continuidade à festa, por não quererem fazer pior”.

Para este ano, o que a Comissão de Festas quer é que “S. Pedro ajude”: “Pelo que nós trabalhámos, acho que merecemos a adesão das pessoas e se chover será mais difícil”.