25 de abril foi assinalado na Trofa com música de intervenção e ajuntamento popular no Largo Costa Ferreira.

“Grândola, vila morena/ terra da fraternidade/ o povo é quem mais ordena/ dentro de ti, ò cidade”. Os versos interventivos de Zeca Afonso foram entoados por dezenas de pessoas, no Largo Costa Ferreira, em S. Martinho de Bougado. À meia-noite de 25 de abril, os trofenses recuaram no tempo e reviveram a luta pela liberdade, enquanto dois “camaradas” tocavam viola na rua. Antes da canção de Zeca Afonso, todos cantaram outra mensagem de intervenção que faz parte da história da liberdade em Portugal: “Ontem apenas/ fomos o povo a chorar/ na sarjeta dos que, à força,/ ultrajaram e venderam/ esta terra, hoje nossa” (Somos Livres, Ermelinda Duarte).

“Este ano, não houve o apoio habitual da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, porque a própria organização não o pediu, uma vez que no ano passado sentiu uma certa resistência e incompreensão pelo trabalho desta comissão. Entendemos que não devíamos pedir apoio, mas não podíamos de maneira nenhuma deixar passar a data em claro”, explicou Paulo Queirós, um dos promotores das comemorações.

Assim, o 25 de abril foi assinalado de forma diferente do que tinha vindo a acontecer nos outros anos, mas, “ao contrário do que se esperava”, houve “uma grande adesão de anti-fascistas”. “Estavam lá, não por obrigação, mas porque sentiam que era ali que deveriam estar, para homenagear todos aqueles que lutaram pela liberdade”, afirmou Paulo Queirós.

Esta é uma “data incontornável” e o responsável lamentou que não existissem mais comemorações: “Assinalámos o dia, ao contrário das entidades oficiais, que no ano passado fizeram uma Sessão Solene e que, em 2011, nem sequer uma referência à data fizeram”. “Quando vimos que não avançavam com as comemorações, decidimos organizar a nossa atividade, mais popular e informal”, acrescentou.

Todos os anos, um grupo de “anti-fascistas” junta-se e assinala o 25 de abril no Largo Costa Ferreira, com música popular e símbolos da revolução.

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