O sol brilhou para o Festival de Folclore, na Festa da Páscoa de Cidai, que decorreu na segunda-feira à tarde, com algumas de dezenas de espectadores.

 As Festas da Páscoa de Cidai são uma tradição com quase cem anos e é uma das festas populares que ainda resistem ao tempo.

Depois das cruzes do Compasso rumarem à Igreja Matriz de Santiago de Bougado, onde decorre a missa de encerramento a festa sai à rua na aldeia.

A música, a alegria e até o fogo de artificio lembram que aqui a tradição “ainda é o que era”.

O Presidente da Junta de Santiago de Bougado, António Azevedo, deixou um desafio à comissão de festas: “não deixem cair esta festa. Santiago de Bougado era, por tradição, uma freguesia com bastantes festas e estamos a perder essa tradição, já que, presentemente, apenas restam duas ou três festas.” Acrescentou, ainda, que “deveria existir uma festividade deste género em cada aldeia da freguesia”.

A animar a tarde de segunda-feira estiveram o Rancho Regional de Fradelos, convidado do certame, o Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado e Rancho Infantil da Escola de Cidai, tendo sido os mais novos os primeiros a actuar destacando, nas suas danças, as brincadeiras de outros tempos.

 

Esta festa foi preparada em cerca de dois meses e a comissão de festas é composta por 15 elementos. Para angariar fundos, a comissão percorre a aldeia de Cidai para pedir o apoio da população e, ainda, com os fundos que consegue com o leilão, embora “este ano tenha corrido pior que em anos anteriores”, explicou Fernando Silva, presidente da comissão de festas.

O presidente da comissão assumiu que “a festa poderia ter corrido melhor, já que houve um contratempo com a primeira sessão de fogo-de-artifício, que não correu conforme esperado”. Zita Moreira, outro elemento da comissão, lamentou o sucedido, garantindo que “foi um problema que transcendeu a comissão.” A par disso, “a noite de domingo esteve muito fria e isso também contribuiu para que a população não comparecesse como em anos anteriores.”

Zita Moreira garante que “é importante não deixar cair a tradição”. “Esta festa era, originalmente, organizada pelos solteiros da aldeia, mas actualmente e para garantir a sua continuidade é organizada por solteiros e casados, mas não é fácil encontrar novos organizadores.” Esta dificuldade em encontrar sucessores faz com que, muitas vezes, “as mesmas pessoas assumam a organização da festa de um ano para o outro”, frisou.

Fernando Silva salientou que o problema em encontrar um novo presidente para a comissão de festas do próximo ano “é agravado pela burocracia”. A lei, actualmente, prevê a necessidade de pedir várias licenças para que as festas possam decorrer sem problemas, o que, por vezes, dificulta o trabalho da comissão de festas.

Apesar dos imprevistos, a comissão de festas garantiu que “para o ano cá estaremos para continuar com a tradição.”