A situação financeira da Covelas, o protocolo de competências entre a Junta de Freguesia e a autarquia, as obras na freguesia, o processo judicial que o presidente da Junta, Fernando Moreira, instaurou contra Manuel Maia e o anúncio do terreno para a nova sede foram os assuntos que marcaram a Assembleia de Freguesia de Covelas, na passada quinta-feira, 17 de Abril.

   A sessão que foi mais pacífica que as anteriores, começou com a leitura da acta da assembleia anterior e que teve dois votos contra, dos membros do partido socialista. Domingos Faria explicou que a decisão se explica por várias razões, "que serão apresentadas numa declaração de voto". Depois da leitura do expediente, os representantes do PS apresentaram uma declaração de voto, onde explicaram os motivos pelos quais não aprovaram a acta do dia 25 de Setembro. No documento lê-se que o PS não aprovou "por considerar que ela contém erros graves no que se refere à explicação dada pelo senhor tesoureiro Feliciano Castro. O senhor tesoureiro informou que ‘esta revisão orçamental ao plano plurianual de investimentos refere-se a uma transferência de dinheiros da Câmara para a Junta de Freguesia para pagar a colocação de um tapete de asfalto na Rua da Cancela Vermelha'. E na acta está escrito ‘que o dinheiro foi para pagar um acréscimo ao valor da obra, obra esta executada na rua da Cancela Vermelha e que tinha sido facturada à Junta". Depois de questionado, o presidente da mesa Manuel Martins confirmou a alteração da acta, afirmando que a razão era de Feliciano Castro.

O clima intempestivo que tem assolado as sessões da assembleia de Freguesia também marcou a noite, com a primeira secretária Alexandra Campos Ferreira a responder ao requerimento apresentado pelo PS que condena algumas reacções de elementos da assembleia. A responsável afirmou que "tudo o que é discutido na assembleia é conteúdo político e quem não pensa assim deve abandonar a política".

Ainda no período de antes da ordem do dia, os membros do PS com acento na assembleia covelense apresentaram uma declaração em que explicam a visita de vereadores da Câmara à Covelas. Domingos Faria e Paulo Maia afirmaram que começaram por mostrar aos responsáveis da autarquia "a Rua da Gabriela que é uma rua deitada ao abandono, o que a torna quase intransitável", passando pela Ponte de Coura, "onde foram feitas obras de alargamento pelas eleições e encontram-se por acabar". A Ponte de Outeirô foi outro dos locais enunciados pelos socialistas, onde consideram que houve "um mau investimento". Na Rua da Cancela verificaram que "um particular havia vedado parte do mesmo largo com uma área aproximada de 350 metros quadrados de terreno público, com consentimento da Junta, ou se não foi com o seu consentimento, até hoje o executivo nada fez para trazer o caso à Assembleia". Por último a rua Padra Guilherme "por acabar há vários anos, deitada ao abandono e com monte de lixo há vários anos".

Em resposta, Fernando Moreira, presidente da Junta de Freguesia, referiu que na rua Padre Guilherme já retirou de lá o lixo "muitas vezes, mas ele volta a aparecer. É uma situação presente em todo o país e não é fácil controlar". A rua "está por acabar porque são necessários cerca de 250 mil euros para conclui-la".

Relativamente ao caso da Cancela Vermelha, o edil explicou que "não deu nada a ninguém", referindo-se ao terreno público, e sublinhou que este assunto "já passou, já tem 30 anos".

Na Ponte de Outeirô, Fernando Moreira sublinhou que também é de difícil resolução, face "ao investimento de 5000 mil euros necessários para colocar equipamento de segurança".

O presidente da mesa de assembleia interveio para enunciar as Bodas de Prata celebradas pelo Presidente da Junta e, considerando um feito notável, sugeriu que o nome do edil constasse num jardim ou praceta.

Na ordem do dia, o protocolo de competências assinado entre autarquia e Junta de Freguesia foi aprovado por unanimidade, enquanto que as contas de gerência do ano de 2007 da Freguesia tiveram duas abstenções do PS.

Fernando Moreira aproveitou para informar que conseguiu o terreno para a sede da Junta, ao lado das actuais instalações. "Foi assinado o destacamento e o projecto e quando houver dinheiro é para começar", referiu.

O processo judicial instaurado pelo presidente da Junta contra Manuel Maia também foi enunciado na sessão, através de uma declaração do PS a condenar a acção do edil. Apesar de Manuel Maia ter provado a sua inocência ao apresentar provas que refutaram a apropriação ilícita de caminhos públicos, o mesmo foi ordenado a reparar um caminho que confronta com a propriedade da Fábrica da Igreja de forma a torná-lo transitável a tractores agrícolas. Fernando Moreira acusou Paulo Maia de "não valer nada como homem" e sublinhou que "o que o juiz mandou tu (Paulo Maia) vais fazer", concluiu.