Feira Anual da Trofa voltou a recolher elogios de visitantes, expositores e entidades oficiais. O certame do próximo ano já está a ser pensado e o futuro pode passar por Espanha.

 “Estou a gostar muito de ver o gado, que é muito bom, mas o que me encheu os olhos foi este pavilhão (mercado)”, confessou Nuno Martins, da ilha de S. Miguel nos Açores, que veio pela primeira vez à Feira Anual da Trofa, acompanhado por alguns conterrâneos. Manuel Viveiros foi um dos açorianos que também veio à Trofa para “ver uma máquina específica”. Rúben Branco é da ilha Terceira e considerou que esta era uma feira “muito boa”, embora seja “parecida” com as organizadas no arquipélago.

Também do vizinho concelho de Vila do Conde surgem elogios ao certame. Maria José Soares veio com o marido e um sobrinho, tal como faz “todos os anos”: “Gosto de ver tudo, tanto os animais como as máquinas agrícolas, pois o meu marido trabalha nesta área”. Daniel Silva é produtor de leite e veio de Matosinhos até à Trofa para “ver os animais e a sua qualidade”.

Ao longo de três dias, o Mercado/Feira da Trofa encheu-se de máquinas, animais, música e muita animação, que chamaram milhares de visitantes.

Na sexta-feira, depois da visita oficial das entidades organizadoras, o dia ficou marcado pela realização de vários colóquios. Do milho transgénico ao bem-estar dos animais, o público aprendeu mais sobre agricultura e agro-pecuária. Mascarados ou com as roupas do dia-a-dia, as crianças do concelho encheram o recinto de cor e boa disposição. Durante o primeiro dia da Feira, passearam de mini-comboio, tiraram fotos e esclareceram todas as dúvidas sobre “as vaquinhas e os cavalinhos”. Já a noite ficou reservada à apresentação das coudelarias e para a tradicional garraiada, que proporcionou momentos de grande animação.

No fim-de-semana ficou realizaram-se as iniciativas mais importantes de cada sector representado no certame. Concursos pecuários, espectáculos musicais, festivais de folclore, o desfile e a gala da Confraria do Cavalo foram apenas alguns dos pontos altos.

António Ramalho, Director Regional da Agricultura e Pescas do Norte, esteve presente no certame e não deixou de referir a importância da Feira Anual da Trofa no sector leiteiro: “É sempre gratificante vir à Feira da Trofa e ver que tem pujança, um número significativo de expositores e dinâmica na apresentação do sector leiteiro”. “Nesta área é fundamental ter brio e capacidade competitiva a nível dos animais”, acrescentou.

Também o autarca de S. Martinho de Bougado, José Sá, confirmou a crescente qualidade dos animais apresentados nos concursos da Raça Holstein Frísia, uns dos “mais importantes da feira”.

Terminada a Feira Anual, José Sá era um presidente orgulhoso: “A Feira decorreu conforme os nossos objectivos, com organização e muito participada”. “Foram alcançados todos as nossas metas”, concluiu.

 

Autarquia quer internacionalizar a Feira

 

 

Os últimos visitantes ainda não tinham saído do recinto e José Sá já pensava na edição do próximo ano: “Este é um evento que exige um trabalho feito de ano para ano”.

A Feira Anual da Trofa é realizada “num sítio onde as acessibilidades não ajudam muito”, evidenciou o autarca. “Nos dias da Feira há trânsito e muita confusão no espaço envolvente”, reiterou.

Consciente deste problema está também José Magalhães Moreira, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa: “O problema mais complicado é realmente a questão do espaço à volta da Feira e das acessibilidades, que não permitem estacionamento nem o crescimento do certame”.

O problema torna-se ainda mais evidente quando José Magalhães Moreira anuncia o intento de levar a Feira Anual da Trofa além-fronteiras: “Não sei até que ponto não devemos ponderar a internacionalização da Feira, através da Galiza”. Este é um “sonho que começou a germinar e que pode vir a concretizar-se no próximo ano ou no futuro, porque vai ser necessário tomar opções”. “Esta ou é uma feira generalista ou é uma feira profissional e este é um tema que vamos ter de debater, já que o importante é manter a qualidade”, acrescentou.

A corrida de cavalos foi adiada para 10 de Abril e deve ser realizada no antigo troço da linha de caminho-de-ferro.