O espírito popular invadiu a Feira Anual nas suas mais diversas formas, tornando o evento numa ocasião inédita no concelho para se viver as tradições de um país que ainda sorri, apesar dos tempos de austeridade.

 No segundo dia do certame, as concertinas atraíram as atenções dos curiosos e adeptos dos cantares ao desafio. O tocador Armindo Silva, de Braga, afirmava que “quando os amigos aparecem com o mesmo espírito, a festa torna-se engraçada”. A ele juntaram-se outros tocadores de Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Trofa.

Mas não foram só os homens da concertina que vieram de longe para visitar a Feira Anual da Trofa. O NT e a TrofaTv cruzaram-se com muitos populares de vários concelhos vizinhos que não quiseram perder esta edição.

A última vez que Júlia Viana, da Maia, visitou o certame ainda este se realizava no Parque Nossa Senhora das Dores. Na hora de avaliar o crescimento do evento, é perentória: “Evoluiu muito mesmo”.

Joaquim Ferreira viajou de Santo Tirso com os mais pequenos para lhes mostrar “as máquinas e os animais”. Estreante a visitar a Feira, elogiou as potencialidades do certame e mostrou-se agradado com que viu: “Está a ser interessante”.

Também tirsense, Manuel Martins já é um habitué nestas andanças, até porque é “da arte”. O agricultor aproveitou para “ver os animais” e visitar “o senhor” que lhe vendeu “um trator”, há três anos, durante o certame.

Carlos Moreira, de Vila do Conde, também é agricultor e felicitou “a organização”, porque “continua a ser ímpar nas atitudes e nos procedimentos para com a agricultura e para com os cidadãos deste concelho”. “Esta feira continua a motivar os consumidores para adquirir produtos nacionais. É diversificada e enquadra-se bem com a evolução do setor agrícola, assim como com as campanhas de produção que se vão desenvolver de imediato, que são o milho e a batata, proporcionando quer a produtores, quer a consumidores, um equilíbrio económico-financeiro”, afirmou.

 “Bispo do Benfica” faz furor na Feira

Se no sábado havia já quem apontava para um acréscimo do número de visitantes, no domingo as filas repletas e o recinto a abarrotar eram sinónimo de sucesso. Valeu a ajuda de S. Pedro por afastar as nuvens carregadas que as previsões meteorológicas apontavam para a Trofa.

E por falar em crenças, a Feira Anual também foi poiso de um bispo, não ligado à igreja, mas à Catedral lisboeta. Miguel Costa, mais conhecido pelo bispo do Benfica, estreou a sua nova batina no dia em que o Benfica iria tirar o 1º lugar ao Futebol Clube do Porto.

Posicionado em frente ao fumeiro da Salgueirinha, local de trabalho, o benfiquista explicou que a ideia surgiu “numa brincadeira de Carnaval” em 2012 e desde aí faz furor por onde passa. “Quando vou a Lisboa é quase como ir o Papa a Roma. São milhares e milhares de fotografias, há pessoas que chegam ao ponto de se ajoelharem e pedirem um milagre. Eu não sou Deus, mas às vezes até pareço”, disse, em tom de brincadeira.

A nova indumentária parece ter dado sorte ao Benfica que, mesmo sem fazer muito, lá venceu o Beira-Mar e tomou o 1º lugar. Valeu também a oração de quem acredita até ao fim: “O Benfica é um clube com culto para milhões de pessoas. Uma manifestação desta grandeza precisava da sua bíblia, por isso cá está ela. Ao ler este livro eu fiquei a saber coisas que desconhecia, outras que até nem me lembrava. O glorioso Artur Semedo é que sintetizava bem esta paixão pelo clube e dizia em voz alta ‘o Benfica é a maior religião e o maior clube do mundo’. Viva o Benfica, viva ao Fumeira do Salgueirinha e obrigado ao meu patrão, do fundo do coração”.

Clubismos à parte, a Feira Anual foi para muitos uma festa, onde não podia faltar a boa gastronomia, o convívio e a música. Para o ano há mais.