A descendência “forte” e as características fisiológicas foram determinantes para consagrar uma das vacas da exploração Senras como a grande campeã do concurso da Raça Holstein Frísia, na Feira Anual da Trofa.

“Fabulosa”. Foi desta forma que Bonet Cid Salgado caracterizou a Vaca Grande Campeã do 11º Concurso da Raça Holstein Frísia, na Trofa, que contou com 120 animais em competição.

A vaca pertence à exploração Senras Dairy, de Ribeirão, em Vila Nova de Famalicão, e conquistou o júri do concurso, que também elogiou a qualidade dos animais presentes.

“Escolhi a vaca adulta campeã que me parece realmente fabulosa e a vice-campeã, uma vaca jovem que em breves concursos será também grande campeã. Ontem (sábado) fiz um concurso de vitelas e novilhas magnífico, com animais com grandes qualidade, morfologicamente excelentes, com boas patas, bem desenvolvidos e com boas estruturas leiteiras”, afirmou.

A vice-campeã pertence à Sociedade Agro-Pecuária Vilas Boas e Pereira, enquanto a grande campeã jovem é da exploração Vale de Leandro.

Já em 2012, a vaca vencedora tinha dado nas vistas (foi vice-campeã adulta) e este ano arrecadou o prémio mais desejado do concurso. Marta Santos, representante da exploração Senras, tinha “a esperança” de que o animal vencesse já que “tem todas as características para ser campeão”. “A descendência dela já é conhecida por ter atributos fortes”, explicou.

A exploração Senras levou 13 animais a concurso e conquistou vários prémios ao longo das 25 secções. A genética é o fator “mais importante” para se ter um animal vencedor, seguido da “preparação e do maneio diário”, que pode passar por mais de 12 horas.

A organização do concurso deste ano foi elogiada pelos intervenientes.

Bonet Cid Salgado considerou o concurso “excelente”, com um “ambiente formidável, boa relação entre os criadores e um público encantador”.

Apesar de considerar que existe “um ou outro ponto em que pode melhorar”, Marta Santos afirmou que a Feira “correu muito bem” e que o concurso “tinha excelentes animais”, que são prova de que “a genética tem evoluído bastante no País”.

Já Carlos Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Criadores da Raça Frisia, destacou o “profissionalismo dos criadores e o bom julgamento”. “Nota-se ao longo dos anos um melhoramento. Os criadores têm apostado em ter animais cada vez mais funcionais e por isso estão de parabéns”, sublinhou. Já sobre a organização do certame, de forma geral, Carlos Salgueiro considerou que foi “a melhor dos últimos anos”.

O facto de os expositores estarem presentes em grande número “apesar do clima que se vive no país”, foi realçado por Vítor Maia, presidente da Cooperativa dos Agricultores de Santo Tirso e Trofa. Para além disso, sublinhou, nota-se também que “os jovens estão a apostar na agricultura”, mas para isso é necessário “o apoio das autarquias e do Governo, para ajudarem a que tenham sucesso”. “Pode não ser só através de subsídios, mas também em canais de venda. É premente que haja exportação dos produtos nacionais e que a grande distribuição nacional prefira os produtos feitos no país”, salientou.

Santos Gomes, presidente da CONFAGRI (Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal) vai mais longe e afirma que “hoje, ser agricultor, é moderno”. “Durante muitos anos, a agricultura esteve esquecida e noutros governos quase não se falava nela, inclusive houve verbas do PRODER que eram desviadas para outras rubricas. Muita gente está, atualmente, a enveredar por esta área, em determinados nichos de mercado”, frisou.

O responsável pela CONFAGRI salientou ainda que “20 por cento das exportações nacionais estão na agricultura e floresta”, por isso “o caminho para se sair da crise passa por aí”.