Junta de Freguesia promoveu “S. Mamede ConVida”, uma iniciativa que pretendeu dar a conhecer a freguesia aos mamedenses.

Os brinquedos de madeira artesanais, os produtos à base de mel ou as imagens religiosas são já conhecidos da maioria dos mamedendes. E muitos são também os que sabem que a origem destes produtos é S. Mamede do Coronado. O que desconheciam era a quantidade de artistas e artesãos que existem na freguesia. A pensar em todos eles, o executivo mamedense organizou o certame “S. Mamede ConVida”, que decorreu entre 1 e 4 de setembro, no Largo do Divino Espírito Santo.

Emília Araújo é pintora e um dos exemplos de talento escondido na freguesia. Começou a pintar em 2007, depois de se ter despedido. “Para não ficar deprimida, peguei nos pincéis. Gostei e entusiasmei-me imenso. Para muitas pessoas é uma surpresa, pois mesmo as que já sabiam que pintava, não conheciam as obras”, explicou.

Também os trabalhos em “trapilho” de Sandra Barbosa são uma novidade. A mamedense faz “reciclagem com restos de tecidos e papel, para além de croché, bordados, bijuteria, tapetes, candeeiros, cortinas e bonecos”, recorrendo, no caso dos tapetes, a um tear manual, pouco comum nos dias de hoje. As duas mamedenses defendem que a iniciativa “deve continuar”.

Juntamente com os artesãos, as associações e alguns estabelecimentos de restauração completavam o espaço e davam-se a conhecer às pessoas que passaram pelo centro da freguesia.

A Associação de Protecção do Vale do Coronado (APVC) foi uma das várias que marcou presença no certame. O presidente da coletividade, Joaquim Maia, afirmou que “S. Mamede ConVida” foi “bem aceite por todos”: “Mostra as associações que existem na freguesia e, ao mesmo tempo, dá a conhecer o que de bom e menos bom poderá existir”.

A APVC tem como objetivo “fazer a defesa do património natural e rural do Vale do Coronado”. “As pessoas têm aderido. Não se vê muita participação, mas dizem que a APVC é precisa e, aos poucos, vão aderindo cada vez mais à causa. Temos feito algumas atividades, incluindo várias caminhadas no Coronado”, explicou o responsável.

Embora o projeto da Plataforma Logística Maia-Trofa esteja, indefinidamente, na gaveta, o futuro da associação “a Deus pertence” e “vão ser os elementos que a compõem que o vão fazer”. Recorde-se que este projeto foi um dos motivos que suscitou o aparecimento da APVC, cujo sucesso passa “pela defesa do património natural”. “O Vale do Coronado é uma zona que é importante preservar”, defendeu Joaquim Maia.

Artistas locais animavam as diversas noites e nem a chuva desmoralizava público e participantes do certame. Paralelamente, decorreu também a Feira do Livro. Se nos primeiros dois dias, S. Mamede e S. Pedro pareciam desavindos, no fim de semana, as tréguas resultaram numa melhoria de tempo que transformou a iniciativa num “sucesso”.

“A ideia surgiu já há algum tempo. Queríamos promover a nossa freguesia e nada melhor que fazê-lo desta maneira, dando destaque ao artesanato, onde incluímos a arte sacra. Para além disso, divulgamos os nossos restaurantes, feirantes e artistas”, explicou José Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de S. Mamede.

O edil mamedense reconhece que a iniciativa “é algo que ainda não foi feito na freguesia” e que, por isso “não havia referências”.

“Fazer uma festa da freguesia, para a nossa freguesia”. Este era o mote e para o concretizar, a Junta contou com a ajuda de vários jovens mamedenses, que se voluntariam e “trabalharam em torno da organização”.

“Os jovens são a garantia do futuro e estes têm imensa qualidade e capacidade, com ideias novas, ousadia e muita irreverência própria da juventude”, sublinhou José Ferreira, que deixou uma “palavra de agradecimento e parabéns” a todos.

Apesar de reconhecer que é necessário fazer algumas melhorias, o autarca garantiu que esta é uma iniciativa para continuar e pretende que no próximo ano “S. Mamede ConVida” seja um certame ainda maior e que mostre mais da freguesia.

 

Feira Franca comemorou centenário

“S. Mamede ConVida” foi também a iniciativa escolhida para assinalar o centenário da Feira Franca local, que se comemora este ano. Na quinta-feira de manhã, dia 1 de setembro, os feirantes vestiram-se a rigor e recuaram no tempo para participar na Feira à Moda Antiga.

Ermelinda Moreira não precisa de andar muito para chegar ao largo do Divino Espírito Santo. Vive no lugar das Fontes, em S. Mamede, e já faz a Feira “há mais de dez anos”. Vende “hortaliças, batatas, cebolas e cenouras” e, de lenço minhoto pelas costas, não escondia o orgulho pela iniciativa: “É bonito e dá que ver”.

E até os mais novos entraram no espírito… como foi o caso da pequena Joana Nogueira, de oito anos. Veio de Gondomar, pela “primeira vez” a S. Mamede do Coronado, trajada a rigor, com lenço pelas costas, saia comprida e avental. A cesta de vime, quase vazia, guardava os rebuçados que não conseguiu vender e os balões que não ofereceu. Joana confessou que “gostou de participar”, ainda que o tenha feito porque “a menina Gusta e a avó obrigaram”, mas ela também “quis”, apressou-se a corrigir. “Foi divertido”, reconheceu.

Os feirantes acreditam que a iniciativa pode ser uma forma de divulgar a feira semanal, que decorre à quinta-feira. Maria Magalhães também veio de Gondomar, como faz “todas as semanas”, para vender “artigos de vestuário de homem, senhora e criança”. “Hoje em dia, compensa pouco vir de Gondomar para S. Mamede, mas está mau em todo o lado e o que compensa aqui é igual nos outros lados. Embora a feira seja pequenina, eu gosto”, afirmou. Sobre o “dia para a história”, a feirante garante que “é bonito divulgarem a terra”. “Mesmo para a nossa feira, se calhar vai ser bom”, acrescentou.

O presidente da Junta explicou que “não há uma data precisa” para o início da feira em S. Mamede.

“O centenário comemora-se ao longo deste ano. Fizemos os possíveis para que os feirantes que participam na feira viessem trajados a rigor”, informou ainda.

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