visita-pascal-36

Cumpriu-se mais um ano de visita pascal, cujas cruzes percorreram todo o concelho da Trofa para anunciar a ressurreição de Jesus Cristo.

As flores dispostas no chão dão o sinal: a porta está aberta para o compasso. Na Rua Luís de Camões, em Finzes, S. Martinho de Bougado, e à semelhança de todo o concelho, as famílias aperaltaram-se para receber a visita pascal. A equipa do compasso, satisfeita com a simpatia de S. Pedro que contrariou as previsões de chuva, entrava nas habitações para anunciar a ressurreição de Jesus Cristo. À porta, o anfitrião dava as boas-vindas e indicava-lhe o caminho. Já no interior das propriedades, encontrava a família reunida para beijar a cruz e celebrar um dos momentos mais importantes da religião católica.

Paulo Martins, um dos 15 portadores das cruzes em S. Martinho de Bougado, explicou que a motivação para fazer parte do compasso passa pela “alegria de apresentar Cristo a todas as casas” e pelo “convívio com o grupo”. “Somos muito bem recebidos em todas as casas, sem exceção, e isso é muito bom. Dá-nos força para, ano após ano, seguir este caminho para anunciar a ressurreição de Jesus”, afirmou.

Zeferino Couto abriu a porta ao compasso e à equipa de reportagem do NT e TrofaTv. Depois da visita do compasso, explicou que mantém a tradição pela crença que tem em Deus e por achar a Páscoa “uma época muito bonita”. “É também uma oportunidade de juntar a família”, complementou, antes de recordar que “antigamente, todas as casas recebiam a visita pascal, mas hoje, algumas estão sem ninguém e outras não querem saber”.

Apesar de algumas mudanças relativamente ao passado, a tradição ainda se mantém viva. “Até agora tem sido igual aos anos anteriores, é o mesmo número de casas a abrir e ainda demoramos um dia a percorrê-las todas”, revelou Paulo Martins.

Apesar de reconhecer que a Páscoa “é uma altura aproveitada por algumas pessoas, essencialmente das classes média e alta, para fazer férias”, o vigário da Vigararia Trofa/Vila do Conde, Luciano Lagoa, defende que “se nota sempre um grande entusiasmo em vez de um decréscimo”. “O número de cruzes nas paróquias mantém-se e a visita ocupa todo o dia”, sublinhou.

E se há casas que, hoje, se mantêm fechadas à passagem do compasso, há outras cujo simbolismo da Páscoa tem a mesma intensidade de há muitos anos. Foi o caso da de Dezanira Silva, trofense que continua a fazer um tapete de flores para receber o compasso. A tradição foi iniciada pelo malogrado marido e assim se manteve, conforme pediu. “Para mim, a Páscoa tem um significado muito grande por ter os meus filhos todos juntos, à exceção de uma que está na Suiça”, contou.

Luciano Lagoa evidenciou o “espírito pascal” que prevalece e “vai continuar”. “O compasso é aquilo que dá mais cor a este dia. O som das campainhas a percorrer as ruas e a entrar nas nossas casas dá um outro sentido à Páscoa”, afiançou.

Ao fim do dia, as cruzes em S. Martinho reuniram-se na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa para uma última ação pascal, seguindo depois para a Igreja Nova.

Na paróquia de Santiago de Bougado, a concentração das cruzes aconteceu em Cidai, junto à imagem de Nossa Senhora de Fátima. Numa cerimónia bem aperaltada pela população, os compassos seguiram para a conclusão da visita na Igreja Matriz, no lugar da Lagoa.