Dois anos e 14 dias depois de formalmente inaugurados, os dois pólos de habitação vão receber os primeiros inquilinos nos próximos dias, faltando apenas a ligação de "água, gás e electricidade".

   As primeiras habitações a custos controlados foram esta quarta-feira entregues pela Câmara Municipal da Trofa a algumas das famílias mais carenciadas do concelho.

O início de uma vida nova, numa nova habitação marca para 124 famílias do concelho da Trofa, uma etapa, há muito esperada. Lurdes Silva é o nome de uma jovem de S Martinho de Bougado, contemplada com um apartamento T2, no pólo habitacional da cidade da Trofa, onde vai viver com a filha. A renda no valor de 24,10 euros vai ser "uma grande ajuda" para esta jovem mãe que "com 400 euros de ordenado" tem de governar a casa e "sustentar a filha". Apesar de ter já a chave na mão, Lurdes ainda não vai ocupar o seu T2 no rés-do-chão. "Falta ainda ligar a água, luz e o gás mas assim que puder mudo-me para lá, mesmo não tendo ainda mobilia para encher a casa", frisou com um largo sorriso nos lábios .

Bernardino Vasconcelos, presidente da autarquia, fez questão de entregar pessoalmente a chave a cada um dos novos inquilinos. Um a um, durante as próximas duas semanas, os contemplados com as novas casas vão ser recebidos pelo edil nos Paços do Concelho, "onde vão assinar os contratos de arrendamento, sendo-lhes nessa altura entregue a chave", frisou Vasconcelos.

O presidente diz estar satisfeito por finalmente "poder entregar as chaves das novas casas a estas pessoas, muitas das quais a viver há muito tempo sem água e sem luz" e ver nos olhos "destas famílias a felicidade por ter uma verdadeira casa, um cantinho a que podem chamar seu".

Apesar do atraso na entrega das casa o edil considerou que "a responsabilidade desta demora não é da Câmara Municipal mas sim da burocracia", relembrando que "o processo teve de passar por dois ministérios, pelo INH – Instituto Nacional de Habitação e pelo Tribunal de Contas para podermos agora assinar os contratos com os inquilinos", frisou.

Apesar de a Trofa não ser um concelho com graves carências habitacionais, e de não haver "números concretos" quanto ao número de pessoas que ficaram de fora deste processo de realojamento, Jaime Moreira, vereador da Habitação e Acção Social não pôs de parte a "possibilidade da construção de outros pólos, como os que agora estamos a entregar". O autarca responsável pela pasta da Habitação assegurou que "o processo de realojamento foi estudado e pensado para ser levado a cabo de forma faseada. As famílias estão a receber instruções e acompanhamento dos técnicos da Câmara, ser-lhe-ão explicadas as regras para viver em comunidade.

O autarca salientou que "além deste apoio inicial, foi criado um gabinete no pólo de S. Martinho de Bougado, onde estará uma técnica em permanente contacto com as pessoas, que cuidará de todos os problemas que possam surgir".

As rendas mais baixas rodam os seis euros e atingem um máximo de 135 euros.