A resistência popular e militar ao exército francês em 1809, ocorrida na Ponte das Barcas, que ligava Famalicão à Trofa, no Rio Ave, é um dos temas em destaque na evocação dos 200 anos das Invasões Francesas que a Câmara de Famalicão vai promover, informou hoje fonte municipal.

O Presidente da Câmara, Armindo Costa salientou que “as tropas locais, comandadas pelo famalicense Luís Carneiro, capitão de Ordenança, da Casa do Capitão, da freguesia de Fradelos, obrigaram as legiões francesas – que se dirigiam para o Porto na segunda invasão de Portugal – a recuar e a dirigirem-se para a Ponte da Lagoncinha”.

Em Março de 1809 (no ano seguinte ao da retirada de Junot), o marechal Soult entrou em Portugal pelo Norte, em Chaves, e dirigiu-se, por Braga, ao Porto, onde ocorreu o famoso desastre da Ponte das Barcas – nome dado a diversas passagens fluviais construídas em cima de embarcações -, no qual pereceram centenas de portuenses e parte do exército francês se afogou no Rio Douro, vindo posteriormente a retirar para a Espanha, perseguido pelos portugueses.

A invasao será abordada pelo historiador e professor da Universidade do Minho, Viriato Capela Dias numa conferência a realizar sábado no Museu Bernardino Machado sobre o tema “As Invasões Francesas em Portugal: da Restauração de 1808 à Revolução de 1820 – factos nortenhos e famalicenses”.

A iniciativa envolve, ainda, a montagem de uma exposição no Museu, organizada pela Universidade do Minho e que vai ser enriquecida com dois painéis referentes aos acontecimentos vividos em Famalicão

Segundo o investigador, “foi o próprio Marechal Soult, que comandava a tropa estrangeira, nas suas memórias, a relatar esta resistência: “A minha coluna do centro foi detida na Barca da Trofa pelo inimigo. Teve de subir o rio, para forçar a Ponte da Lagoncinha, que estava barricada e defendida por fortes entricheiramentos”.

Acrescenta que “os actuais descendentes e proprietários da ‘Casa do Capitão’, guardam ainda, com devoção, a espada do seu familiar. A própria casa contém ainda elementos de defesa da época”.

Além dos combates junto ao Rio Ave, serão registados outros episódios conhecidos da resistência popular contra o invasor, designadamente o ocorrido com o famalicense Rodrigo António Pinheiro de Lacerda, da Casa da Quinta de Pousada, da freguesia de Bairro, o qual, de acordo com o registo de óbito, “faleceu dos tiros que os franceses lhe atiraram na invasão na acção de guerra que houve com os franceses quando entraram nesta província.”

Um outro painel foca a figura de João Nepomuceno (1750-1809), Corregedor da Comarca de Barcelos, o qual se solidarizou com os famalicenses, que ao tempo lutaram pela autonomia municipal.

Na mostra haverá também alguns excertos seleccionados da obra de Camilo, onde o escritor narra vários acontecimentos referentes às Invasões Francesas, em títulos como “A Filha do Arcediago”, “Onde Está a Felicidade?”, “A Enjeitada” e “Agulha em Palheiro”, entre outras.

A conferência de Viriato Capela irá abordar ainda a relação entre as Invasões Francesas e a conquista da autonomia municipal do concelho famalicense e o papel daquele corregedor neste movimento emancipalista.