Quatro clubes da Liga, entre os quais o sensacional Leixões, e cinco da Liga de Honra tem salários em atraso para com os seus jogadores, situação que Joaquim Evangelista atribui à “amoralidade que grassa no futebol”.

Os atletas do Estrela da Amadora vivem a situação mais dramática, com seis meses de ordenados em falta, apesar de dois terem sido pagos através do fundo de garantia salarial do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) e de ontem terem recebido parte de outro salário.

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O Vitória de Setúbal e o Leixões, ambos com três meses em falta, e o Belenenses, com dois, completam a lista de clubes do escalão principal que estão em situação de incumprimento.

Joaquim Evangelista, presidente do SJPF, observou à Agência Lusa que “o diagnóstico está feito”, advertindo que a “bolha vai rebentar e afectar vários clubes”, pois “este quadro competitivo não tem futuro”.

“É revelador da amoralidade que grassa no futebol. Os clubes que se sentem lesados têm que tomar uma atitude em defesa dos interesses do seu clube. Se não o fazem porque se sentem inibidos por também terem salários em atraso, mais vale estarem calados”, denunciou.

Enquanto no Belenenses (penúltimo colocado) e no Vitória de Setúbal (antepenúltimo) o desempenho desportivo parece reflectir a instabilidade, as classificações do Estrela da Amadora e, principalmente, do Leixões não deixam antever tão grandes dificuldades.

O clube da região lisboeta, o mais afectado nas competições profissionais e cujo presidente anunciou quinta-feira ter pago parte de um dos seis meses em atraso, ocupa o tranquilo oitavo lugar, nove pontos acima da linha de despromoção.

No Leixões, nem os três meses de ordenados em falta – que o presidente da SAD, Carlos Oliveira, prometeu regularizar até ao fim desta semana – impediram o clube de Matosinhos se intrometer entre os três “grandes” durante mais de metade do campeonato.

“Nenhum clube se pronunciou sobre os salários em atraso e há aqui uma situação de concorrência desleal. O que revela que a maioria deles não o faz porque tem telhados de vidro”, acusou Joaquim Evangelista.

Na Liga de Honra, o cenário é idêntico, sendo o caso do Boavista o mais grave, com cinco meses de salários em dívida aos seus atletas, apesar de ter pago meio mês durante a semana passada.

Antepenúltima da prova, mas ainda distante dos dois últimos posicionados (Gondomar e Oliveirense), a equipa “axadrezada” pode terminar a época com o objectivo da permanência cumprido, mas com o futuro em risco devido à falta de sustentabilidade financeira.

Em falta estão também o Varzim (três meses), Vizela e Gil Vicente (com atrasos pontuais), todos situados a meio da tabela, enquanto o Estoril-Praia, quarto classificado, em luta pela subida de divisão, deve um mês de ordenados aos seus futebolistas.

A Liga de Honra fornece também o contraponto no drama dos salários em atraso que afecta o futebol português, dado pelo Desportivo das Aves, que está abaixo de Gil Vicente e Estoril, mastem os salários em dia e já adiantou metade do último mês da temporada.