O Tribunal de Santo Tirso condenou esta segunda feira, 3 de outubro, a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa, o “falso padre” que durante quatro anos celebrou missas, casamentos, batizados e funerais na Trofa até um casamento na Sé de Braga.

O arguido, Agostinho Caridade, de 38 anos, residente em Aguiar, Barcelos, mas que não compareceu ao julgamento, foi condenado pelo crime de usurpação de funções e de burla qualificada. Para a suspensão da pena, o arguido fica obrigado a indemnizar, no prazo de dois anos, 4.727 euros a três pessoas que burlou, bem como a pedir desculpa, no prazo de 15 dias, à Arquidiocese de Braga, às paróquias onde exerceu ilegalmente e aos respetivos paroquianos.

O juiz lembrou que o arguido já tem no seu currículo uma condenação por burla informática, em pena de multa, que não chegou para que mudasse o seu comportamento, pelo que desta vez a pena “terá de ser em prisão”. A título de danos não patrimoniais, terá de pagar 3000 euros por ter “lesado a fé” dos queixosos. O tribunal deu como provado que, em 2004, o arguido conseguiu “penetrar” na Igreja, quando contactou o pároco de S. Martinho de Bougado, Joaquim Ribeiro, que estava já num estado de saúde muito debilitado, e se ofereceu para o ajudar, apresentando-se como João Luís e sendo padre missionário, pertencente à Ordem dos Camilianos.

O pároco terá passado a palavra a outros sacerdotes e a fama “de bom padre” do burlão foi-se espalhando, pelo que começou a ser contactado para vários serviços, sobretudo nas dioceses de Braga, Porto e Algarve.

Como ia “recomendado” por um colega de ofício, nunca ninguém se lembrou de lhe pedir a identificação. O padre José Ramos, pároco de Alvarelhos, que conheceu Agostinho Caridade, “foi apresentado pelo Padre Ribeiro” em 2005, começou a desconfiar de alguns comportamentos, palavras e contradições do arguido, e encetou uma investigação “durante nove meses, menos uma semana”, tendo concluído que ele não era nem nunca foi padre.

 

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