Consciência, honestidade e boa fé. Estes são os ingredientes base que “certamente” vão contribuir para o sucesso de um jornalista. “Se tiver isso, imaginação e trabalhar, poderá ir muito mais longe”. Esta foi a mensagem do jornalista Joaquim Furtado, no dia em que arrancou a primeira edição do Festival Novo Jornalismo, que decorreu no fim de semana, em Santo Tirso.

A sessão inaugural foi feita pelo presidente da Câmara Municipal, Joaquim Couto, seguindo-se a intervenção de Joaquim Furtado, figura “incontornável” do jornalismo português.
O edil tirsense explicou que esta é uma iniciativa que ainda não teria sido “tratada”, quer a nível cultural, quer a nível da comunicação social, por isso, foi inserida na programação cultural do concelho.
“A promoção do concelho, a requalificação da democracia, o estímulo da participação dos jovens na atividade cívica em geral e na compreensão daquilo que é o jornalismo, como se faz, que vários tipos de jornalismo existem, como é que as redações e os meios materiais e humanos funcionam” foram as metas traçados para o evento, segundo Joaquim Couto. “O objetivo particular é o jornalismo da não-ficção”, afirmou.
Durante dois dias, temas co-mo o presente e o futuro da profissão e também dos desafios da não-ficção foram debatidos em público por especialistas da área. O futuro dos media, os riscos da não-ficção, a ética e a revolução digital estiveram em discussão pelos convidados.
O jornalista Joaquim Furtado considerou a ação “bastante positiva” e com “muito mérito”. Numa reflexão sobre o tema, o especialista referiu que, neste momento “estamos numa fase de transição” do jornalismo “tradicional” que assentava nos meios de comunicação tradicionais, os jornais em papel, as rádios e as televisões. Agora, “estamos a passar para uma outra realidade com a qual todos lidamos, mas nem sempre da melhor maneira”. “O contacto com a internet e as novas tecnologias é um desafio, ao mesmo tempo que é uma aprendizagem. No jornalismo há muitas questões a refletir”. Sobre o fenómeno da internet, no “estrangeiro” há “muitos” estudos, quer das novas plataformas, quer das novas tecnologias. Apesar disso, a análise desta nova forma de jornalismo tem de ser feita em “tempo real”, porque é um fenómeno que “está a acontecer”.
Já sobre o jornalismo despor-tivo, Joaquim Furtado levantou al-gumas questões. O jornalista considera-o uma realidade “muito específica” porque lida com “factos” mas também com “emoções”. “A informação desportiva é participada por diversos protagonistas, há jornalistas, há não jornalistas, há comentadores que são jogadores ou foram jogadores, há um universo de protagonistas e interventores que é, em alguns aspetos, diferente daquilo que passa noutra comunicação”, explicou. Enquanto que, em jornais “de referência”, “um erro”, uma “distorção”, uma “inco-erência” ou uma “incompetência” é visto de uma maneira, na imprensa desportiva há uma atitude diferente por parte dos leitores.
Numa análise conclusiva sobre o uso da internet e o acesso a qualquer tipo de informação, Joaquim Furtado encara o facto como um meio que “facilita” a tarefa jornalística, permitindo aos profissionais da área “melhorar” os seus trabalhos, se estes forem “conscienciosos”. “A internet é um bocadinho como um buffet (…) você vai lá e escolhe o que quiser. Mas se escolher mal, a internet não tem culpa, a culpa é sua porque não soube escolher bem”, referiu. “Penso que os jornalistas vão sobreviver”, concluiu.
No contexto do mesmo evento, as escolas D. Dinis, Tomaz Pelayo, D. Afonso Henriques e Instituto Nun’Alvares receberam Fernando Alvim, ex-apresentador do programa “5 para a Meia-Noite”, e Luís Henrique Pereira, jornalista da RTP, para partilharem as suas experiencias profissionais. “O festival nas escolas foi espetacular. Para o próximo ano faremos isto com muito mais antecedência para que as escolas possam programar as conferências e palestras nos alunos do 10.º, 11.º e 12.º anos”, contou o presidente da autarquia.
Para o ano, o festival continua e outros eventos “pioneiros” serão lançados, sempre com um objetivo comum: “Promover internamente o município, que tenha como pilar a cultura e a natureza económica”.