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Edição 471

Exercício físico vale “três toneladas” de alimentos (c/video)

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Durante 12 horas, o Aquaplace desenvolveu atividades em troca de alimentos. Foram angariadas três toneladas de géneros, que serão distribuídos pelos desfavorecidos.

O açúcar dava acesso à piscina e o arroz abria a porta das aulas de grupo. Debaixo de água, suspenso – através do trampolim – ou em terra firme, o exercício físico praticado no Aquaplace no dia 26 de abril teve cariz solidário. Em troca de alimentos, a população teve acesso às atividades da academia municipal, desde hidroginástica a spinning, capoeira, danças de salão, judo, pilates, entre muitas outras.

Segundo Sérgio Humberto, presidente da autarquia trofense, foram angariadas “três toneladas” de géneros alimentícios, que “serão distribuídos pelas instituições de solidariedade do concelho, que prestam apoio alimentar a famílias carenciadas”. O objetivo é também chegar “à pobreza envergonhada” que existe na Trofa.

Face ao resultado da iniciativa, a autarquia já pensa em repetir a experiência mais do que uma vez por ano. “Ainda não temos datas previstas, estamos a avaliar, o programa vai-se ajustando, mas vão ocorrer, certamente, mais iniciativas ligadas à solidariedade. É importante enaltecer este espírito durante vários dias ao longo do ano, para angariar dinheiro e géneros para as IPSS, que prestam esse trabalho de apoio aos mais desfavorecidos”, atestou.

As 12 horas solidárias também serviram para homenagear quem faz do voluntariado a sua vida. António Moreira colabora com cerca de 20 associações do concelho e espalha alegria junto das crianças e seniores.

Sensibilizado com a distinção, António Moreira mostrou-se disponível para continuar a apoiar. “Parar é morrer, deixem-me trabalhar com as crianças e idosos, porque eles são a razão de eu viver”, afirmou.

A cultura esteve de mãos dadas com o desporto neste dia solidário, com a participação de vários grupos musicais e de dança do concelho: Fanfarra de Santa Maria de Alvarelhos, Rancho da APPACDM da Trofa, Associação Cultural Recreativa e Social de Cidai, Danças e Cantares do Vale do Coronado, Rapaziada, Alvadance, Grupo Danças e Cantares de Santiago de Bougado, Rancho Folclórico de Alvarelhos e Orquestra de Ritmos Ligeiros.

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Salsichas, atum, azeite, arroz, massa, farinha, bolachas, leite, açúcar, grão-de-bico e cereais foram os alimentos angariados.

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Edição 471

Que crianças damos ao mundo?

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A editora Tangerina é uma (premiada) editora portuguesa de livros infantis, se temos que lhe colocar um rótulo. Na verdade, os livros belos e cuidados que saem dos seus “fornos” são igualmente atrativos para miúdos e graúdos e fazem surgir uma criança no mais empedernido dos adultos (digo eu…).

E foi o seu livro mais recente que despoletou esta minha reflexão. Com o sugestivo título “Lá Fora – guia para descobrir a natureza”, pretende incentivar o leitor a sair do sofá e a descobrir a natureza que o rodeia, quer more numa aldeia quer numa cidade. Eu, que ainda só vi as páginas disponíveis no site da editora, fiquei cheia de vontade de pegar no livro e seguir as bonitas ilustrações, procurando borboletas pelos jardins da minha cidade. Mas eu sou suspeita, porque já costumo deitar-me na relva a observar as nuvens, tento identificar as árvores que se cruzam no meu caminho, passeio descalça na areia, seja verão ou inverno, … Será este livro assim apelativo para uma criança nos dias de hoje?

Tenho muitas crianças à minha volta (não neste preciso momento…): primos, sobrinhos emprestados, vizinhos. Uns moram na cidade, outros num meio rural (mais próximo de uma aldeia do que de uma vila). E, estranhamente (ou não?) os seus hábitos e comportamentos são idênticos. Quando não estão na escola ou nalguma atividade extra-curricular, estão agarrados ao computador, à consola de jogos, à televisão, ao telemóvel.

Já me começo a sentir velha ao dizer estas coisas, mas… o mundo mudou assim tanto que as crianças já não podem brincar na rua? Não me parece que seja esta a questão. Por exemplo, tanto o sítio onde cresci como a aldeia onde passei muitas férias continuam como há uns bons anos atrás, mas agora não se veem miúdos a jogar à bola, a andar de bicicleta, a subir às árvores ou a jogar às escondidas.

Em Inglaterra, um projeto, que envolve inúmeras associações e organizações, pretende reaproximar as crianças da natureza. O relatório que elaboraram mostra que a distância percorrida pelas crianças em brincadeiras fora de casa diminuiu 90% em 30 anos, e o tempo gasto naquelas teve uma queda de 50% em apenas uma geração.

Outros estudos mostram que o tempo na natureza aumenta a nossa felicidade, saúde e qualidade de vida.

Que adultos serão estas crianças que têm muitas atividades, é verdade, mas dentro de portas? E que relação têm (e terão) com a natureza, que lhes “passa ao lado”?

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Se falhámos na nossa obrigação de deixar um mundo melhor para as gerações vindouras, não corremos também o risco, neste momento, de falhar no dever de dotar as crianças – e jovens de hoje – de ferramentas necessárias para serem elas a manter a esperança num futuro?

Mas não se trata de encontrar “culpados”. O importante é inverter esta tendência e trazer as crianças para a natureza. E não é preciso nenhum livro (apesar de poder ser uma bela ajuda). Mas é preciso tempo. Tempo para sair para aprender a identificar algumas árvores e plantas nos jardins do bairro; tempo para fotografar animais (em liberdade) num parque ou campo próximo; tempo para recolher plantas e fazer um herbário; ou apanhar conchas e fazer um mostruário; …

 

Ema Magalhães | APVC

http://facebook.com/valedocoronado

http://valedocoronado.blogspot.com

valedocoronado@gmail.com

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Edição 471

Destroikar mais uma vez

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Nos últimos tempos tenho vindo a destroikar bastante, quer em Palestras quer em Crónicas, pois tenho uma necessidade visceral de combater os negativismos instalados e os militantes da desgraça, sem esquecer os governantes do passado. É verdade que neste combate idealista, sinto-me por vezes um verdadeiro Dom Quixote de la Mancha a combater os moinhos de vento, numa aventura em que o conflito nasce do confronto entre o passado e o presente, o ideal e o real e o ideal e o social.

A governação, num passado recente, estragou o presente, desbaratou o ideal e o real, gastando mais do que o que tinha e, com isso, entrando em desvarios, hipotecou o futuro e pôs em causa o estado social, que tanto custou a construir. Depois, como era óbvio, teve de pedir auxílio e lá veio a “troika”. Foi uma calamidade política, que temos de ter bem presente até para que não se volte a cometer os mesmos desvarios. Está a ser muito doloroso o «remédio», mas está a fazer efeito. Pelo menos já dá para ver a «luz ao fundo do túnel».

O Tesouro português realizou no dia 23 de Abril, a primeira emissão de dívida a 10 anos da “era” da troika sem recurso a um sindicato bancário. Foram colocados 750 milhões de euros e a procura superou esse montante em 3,47 vezes. A última vez que Portugal foi ao mercado financiar-se a 10 anos, sem apoio de um sindicato bancário foi em Janeiro de 2010.

A confiança na economia portuguesa está expressa no nível de risco que está bem espelhado nas taxas de juro da dívida pública portuguesa. A taxa de juro implícita nas obrigações portuguesas a dois anos desceu, em 9 de abril de 2014, para 0,969%. É o valor mais baixo desde 1996, depois de ter terminado 2013 a negociar acima da fasquia de 3% (chegou a atingir perto de 20% em Janeiro de 2012).

Na maturidade a cinco anos a taxa de juro desceu, em 23 de abril de 2014, abaixo dos 3% pela primeira vez em 4 anos, baixou para 2,386%. Corresponde ao valor mais baixo desde 1999.

A taxa de juro da dívida a dez anos baixou, em 23 de abril de 2014, para o valor histórico de 3,575%. A taxa seguia acima dos 6% na primeira sessão de 2014 e em março de 2014 tinha baixado para os 4,5% (era a descida de juros mais significativa na zona euro e a primeira vez que aconteceu desde abril de 2010, antes do primeiro resgate à Grécia). Agora é o valor mais baixo desde 2005.

São tantas as individualidades e entidades, nacionais e estrangeiras, a louvar a recuperação económica portuguesa. Em breve, a dívida portuguesa vai deixar de ser considerada «lixo». A poucos dias da reunião dos países da moeda única onde irá ficar definida a forma como Portugal vai deixar o programa da “troika”, o Eurogrupo (a instituição que na UE congrega os ministros da Economia e Finanças do Zona Euro e o Presidente do BCE), defende uma «saída limpa» para Portugal.

Esta esperança renascida é uma proeza das empresas, dos empresários, dos trabalhadores e do sacrifício de muitos.. Como português, só posso dizer: OBRIGADO!

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José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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