Na assembleia de freguesia de S. Romão do Coronado, que decorreu no dia 21 de setembro, quarta-feira, os temas mais “quentes” que estiveram na mesa foram o subsídio atribuído ao FC S. Romão e o desagrado do executivo sobre a atuação da Câmara Municipal.

Em S. Romão do Coronado, alguns elementos da Assembleia de Feguesia mostraram-se surpreendidos com o facto dos jornalistas gravarem as assembleias.

Oito anos depois do aparecimento do jornal O Notícias da Trofa e depois de mais de 30 assembleias noticiadas e gravadas em S. Romão do Coronado, na sessão de 21 de setembro, a presidente da Assembleia, Alexandra Martins Oliveira, alertada pelo social-democrata Ricardo Faria, mostrou-se incomodada com a presença do gravador, alegando que “desconhecia que as assembleias eram gravadas pelos jornalistas”, mesmo estando o gravador sempre presente e de forma visível em todas as sessões, ora na mesa do executivo da junta, ora nos dos elementos da assembleia, ora na mesa da presidência. A presidente chegou mesmo a colocar em causa a legitimidade dos jornalistas para desempenharem a sua função, informando-os que “só podiam gravar a assembleia, porque nenhum membro da mesma se opôs, caso contrário não o poderiam fazer”, demonstrando um claro desconhecimento da legislação e desrespeito pelo trabalho dos jornalistas.

Iniciada a Assembleia, continuou a discórdia. Se o gravador tivesse sido “adotado” em anteriores sessões pelos membros deste órgão, talvez não houvesse discordância na aprovação das atas, como aconteceu nesta sessão, pois José Carvalho, elemento do PS, lamentou o facto de a “declaração de voto do Partido Socialista sobre a cedência das instalações da Quinta de S. Romão” não constar do documento.

Guilherme Ramos, presidente da Junta de S. Romão do Coronado, começou por dar a conhecer o descontentamento do executivo face às atitudes de “discriminação” que a Câmara Municipal da Trofa tem tido para com a freguesia romanense. O autarca garante ter enviado “três ofícios” à autarquia trofense e de não ter obtido resposta até então.

“Já enviámos dois ofícios a dar conta do problema dos semáforos, da necessidade de se desenharem as passadeiras e colocar sinalização, mas não obtivemos resposta. Tanto que o terceiro ofício foi para questionar o porquê de ainda não nos terem respondido aos anteriores”, asseverou.

Mas o desagrado ganha mais expressão por os elementos da Junta verem ser realizados eventos como “a ExpoTrofa, Volta a Portugal em bicicleta, Festa de Nossa Senhora das Dores, Corrida de Cavalos, corridas de carros”. Adriano Vasconcelos, secretário do executivo, fez questão de salientar, várias vezes ao longo da assembleia, que a freguesia encontra-se ao “abandono há muito tempo”.

Já Cecília Pereira (PS) “defendeu” a autarquia trofense, alegando que este tipo de iniciativas traz benefícios financeiros para o município. “A realização de uma ExpoTrofa é um incentivo às empresas e se nós estamos numa situação de dificuldades o lógico é haver estes eventos. Não podemos querer que se cortem todos estes tipos de iniciativas”, afirmou a deputada socialista.

Por outro lado, Guilherme Ramos fez saber que a Câmara Municipal está a estudar a construção de um novo canil, eventualmente, na freguesia de S. Romão. O presidente da Junta foi contactado “pelo vereador Assis Serra Neves” e, depois de, inicialmente, não ter visto a ideia “com bons olhos”, a ideia “foi amadurecendo”, até porque o autarca considera que este projeto pode trazer alguns dividendos para a freguesia. Para a concretização desta obra, Guilherme Ramos quer, como moeda de troca, algumas “condições essenciais”: “A Câmara Municipal da Trofa tem de fazer com que a Câmara de Santo Tirso faça as escrituras dos terrenos que nos pertencem”, “o canil terá de ser feito num local escondido”; e a obra só será realizada se houver um compromisso de “acordo de contrapartidas financeiras”, ou seja, “deliberações que estão na autarquia desde 2009”, que, segundo o autarca, andam na ordem dos “200 mil euros”. O elemento social-democrata Ricardo Faria complementou o projeto, sugerindo que junto ao canil seja construído “um ecocentro”.

Pelo facto de o canil poder ser construído no mesmo local, Rui Damasceno (PS) viu “comprometida” a proposta apresentada para a construção de uma horta urbana na freguesia. Guilherme Ramos acolheu a ideia, no entanto, salvaguardou que esta medida já foi implementada na freguesia.

Os ânimos exaltaram-se durante a sessão, quando Ricardo Faria propôs que fosse repensado o subsídio que a Junta dá, mensalmente, ao F.C. São Romão. O social- emocrata criticou o facto de Rui Damasceno, que é presidente do clube, se ter abstido na proposta apresentada para a cedência das instalações da Quinta de S. Romão a outras associações, deixando-o “estupefacto”. Ricardo Faria chegou mesmo a referir que a Junta de S. Romão deve ser uma das que mais ajuda as suas associações e que “quando há um presidente (de um clube) que tem uma atitude destas numa assembleia é melhor repensar o subsídio atribuído”. O socialista José Carvalho defendeu o companheiro Rui Damasceno.“Aqui nesta mesa não está o presidente do clube de futebol mas sim o Rui Damasceno. Julgo que não devemos misturar os assuntos. Acho que é de muito mau tom tentarmos chamar para estas assembleias este tipo de assuntos”, asseverou.

Já Rui Damasceno mostrou-se desapontado com as atitudes de Ricardo Faria. “Acho que merecia mais respeito nesta assembleia por parte do senhor Ricardo, mas já vi que ele trata mal todos, ataca de todas as maneiras e não pensa nas palavras. É de lamentar que se toque sempre no assunto do FC S. Romão só porque eu faço parte da associação de que ele já fez parte. Devia ter mais respeito por essa coletividade se esteve 17 anos à frente do FC S Romão. Eu só lá estou há um ano, não quero estar muito mais tempo, sinceramente, mas estou a lutar para fazer o meu melhor. Irei lutar com a Junta e com a Câmara sempre a favor do FC S. Romão”.

Relativamente a este tema o presidente da Junta romanense fez questão de salientar que para o FC S. Romão “este ano ainda só se transferiram três meses, e a Câmara transferiu quatro”.

Savinor continua a centrar atenções

Outro tema não menos polémico é a Savinor . Está a ser construído um intercetor que permitirá a recolha direta das águas residuais na Savinor, que depois serão drenadas para o Sistema Multimunicipal de Abastecimento e Saneamento do Vale do Ave. Esta obra tem o objetivo de tentar minimizar os maus cheiros na freguesia de S. Romão do Coronado, mas Guilherme Ramos não acredita que o problema fique resolvido. “Todos sabemos que é uma obra em curso, que irá certamente atenuar o problema enquanto não resolve, é a minha opinião. Para além disso foi também criado um movimento que já tem feito algumas reuniões, neste momento sei que há algum abrandamento, certamente, porque as pessoas estão numa fase de expectativa para verem no que vai resultar”.

Os deputados socialistas são unânimes quanto à expectativa para ver no que vai resultar a obra. Cecília Pereira acredita que a “empresa tem a preocupação de melhorar os maus cheiros”, mas que isso “não é suficiente”.

Já Rui Damasceno defende que “todos os que fazem parte da assembleia são contra a Savinor, não há ninguém a favor”. Mas o deputado não acredita que a obra da construção do intercetor “vá resultar”. “Vamos esperar para ver”, frisou.

As obras que estão a decorrer na Quinta de S. Romão foi outro dos assuntos abordados. Rui Damasceno questionou o executivo relativamente ao orçamento da empreitada. “130 mil euros”, respondeu Guilherme Ramos, que foi ainda questionado por um elemento do público sobre se o executivo pretende acabar o projeto neste mandato. “Se vamos acabar ou não, isso não está nas nossas mãos. Nós queremos acabar, mas sozinhos não conseguimos. Se vier uma parte do subsídio (da Câmara) dá para concluir a obra e isso era bom para a freguesia e para o concelho”, assegurou.

Armindo Maia, secretário da Assembleia, também interveio para sugerir que o dia em que S. Romão foi elevada a vila juntamente com S. Mamede, 24 de julho de 1997, seja assinalado com um programa de atividades. Esta proposta colheu a unanimidade dos elementos da Assembleia.

No período de intervenção do público foi ainda sugerido à Assembleia que exponha mais editais a anunciar as sessões para que “a população saiba e apareça”.

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