A freguesia do Muro foi palco da segunda sessão da Presidência Aberta, levada a cabo pela Câmara Municipal da Trofa com o intuito de ouvir no terreno as reivindicações dos munícipes. 

Contactar com os autarcas locais e as populações, ouvindo no terreno, as suas sugestões, necessidades e reivindicações é o objetivo da iniciativa “Presidência Aberta” desenvolvida pela Câmara Municipal da Trofa. Durante esta quarta-feira, dia 26 de fevereiro, o executivo deslocou-se à freguesia do Muro, onde esteve reunido com elementos das associações Muro de Abrigo e Associação Recreativa Juventude do Muro (ARJM), assim como com alguns murenses, tendo sido efetuadas visitas a alguns locais da freguesia.

Durante a sessão, que decorreu na Junta de Freguesia, José Pedro Lima, presidente ARJM, quis saber como estão “as situações dos contratos-programa” e “dos transportes” e como se irá “resolver a questão do futebol popular, porque não tem havido competições”, o que tem sido “um bocado chato” pois “os miúdos estão a treinar sem competição”. “Outro problema grave” que o presidente retratou foi a necessidade de substituir “as telhas de amianto” que têm no ginásio. No que toca às telhas de amianto, o edil trofense, Sérgio Humberto, prometeu ajudar, monetariamente, na sua substituição. Já quanto ao futebol popular, Renato Pinto Ribeiro, vereador do pelouro do Desporto, declarou que a autarquia está a encetar diligências com a Associação de Futebol Popular da Trofa e em breve haverá desenvolvimentos.

Já as “preocupações” da presidente da Muro de Abrigo, Fátima Silva, passam pelos “idosos, pelas pessoas que vivem com dificuldades, que infelizmente são bastantes, e pela pobreza envergonhada”. Defensora “aguerrida” pela vinda do metro até à Trofa, Fátima Silva aproveitou a reunião para “levantar a bandeira do metro”, mas “desta vez até à Serra-Muro”, por achar que seria “mais acessível” e “serviria as populações que mais utilizavam o comboio”.

A representar a freguesia esteve o executivo da Junta do Muro. O presidente, Carlos Martins, avançou que as principais preocupações dos murenses estão relacionadas “essencialmente com o metro e saneamento”. No que toca ao saneamento, Carlos Martins asseverou que existe “uma infraestrutura feita há já sete anos”, contudo há “ainda duas bacias que não funcionam”, por problemas nas passagens nos terrenos. “As pessoas interrogam-se porque é que têm água e não têm saneamento depois de verem tanta máquina, há anos, a perfurar as nossas estradas e a deixá-las num estado caótico em que se encontram algumas”, referiu.

Já as “principais preocupações” da Junta de Freguesia passam pelas “estradas que estão degradadas” e a vinda do metro, uma vez que a obra “não está contemplada” nos fundos do QREN 2014-2020, o que considera ser “ enganar a população”. “Com certeza que não vamos ficar parados e vamos manifestar-nos. Tem que haver algum barulho, algum ruído para que saibam lá em baixo (Lisboa) que nós não somos ignorantes, inocentes e muito menos parvos, que é isso que nos têm feito nos últimos anos” frisou.

 

Nos próximos seis anos o metro dificilmente vai ao centro da Trofa”

 

O presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto, considera ser “importante ouvir, no terreno,” as associações e os munícipes, uma vez que tem “a perceção daquilo que é mais premente”. Com esta iniciativa, o executivo pretende que as reivindicações apresentadas pelos munícipes tenham “sequência”, tendo consciência que nuns casos o processo possa ser “mais moroso” e noutros “mais célere”.

No início da sessão, o edil trofense informou que “os passos estão a ser dados” para a construção de uma rotunda na Carriça, de forma a combater “o enorme tráfego” na Estrada Nacional 14, “ajudando as pessoas que trabalham, visitem e vivam na Trofa a não ter este constrangimento”.

Já quanto à vinda do metro, Sérgio Humberto salientou que é “uma questão mais difícil”, tendo “consciência que nos próximos seis anos o metro dificilmente vai ao centro da Trofa”. Por essa razão, o presidente tem como “prioridade defender, numa primeira fase, a vinda do Metro até ao Muro”, apresentando como argumentos a “contenção de custos”, uma vez que passa dos “cerca de 140 milhões” para “30 milhões de euros”, e pelo facto de a população do Muro ser “a mais prejudicada” com a retirada de “um transporte público”. “Enquanto Câmara Municipal estamos disponíveis a dar passos claros, porque o Estado tem que ser uma pessoa de bem e se não for tem que responder a isso em tribunal”, finalizou.

A primeira sessão da iniciativa “Presidência Aberta” decorreu na freguesia de Alvarelhos e Guidões, no dia 17 de janeiro.