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Ano 2013

Exame de 4º ano certifica competências de dez adultos

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Dez adultos submeteram-se ao exame do 4º ano de escolaridade na Escola Secundária da Trofa. Competências foram certificadas através de uma avaliação feita pelo Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Trofa e validadas pela DREN.

“Estava muito preso, mesmo a falar. E agora falo melhor e compreendo melhor as pessoas. Foi tempo muito bem empregue”. O sentimento é de Manuel Marques, um dos dez adultos que, na tarde de terça-feira, dia 18 de dezembro, viu as suas competências ao nível do 4º ano de escolaridade serem certificadas, através de uma avaliação feita pelo Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária da Trofa e validadas pela DREN (Direção Regional de Educação do Norte).

Juntamente com Manuel Marques, mais nove adultos concluíram uma fase que mudou as suas vidas por completo. O percurso iniciou-se através da Trofa Comunidade de Aprendentes (TCA), valência municipal entretanto extinta, através do curso “Aprender a Ler, Escrever e Contar”.

A professora Maria Rosa Lage, sem coragem para interromper o curso, continuou o seu trabalho de forma a possibilitar que os alunos pudessem garantir a certificação ao nível do 4º ano.

O dia de terça-feira foi “importante e feliz” para a professora voluntária do projeto, que viu, no total, 21 adultos a “conseguirem o 4º ano”. Os formandos, oriundos da vila do Coronado, do Muro e da cidade da Trofa, estavam “muito nervosos e ansiosos”, o que é normal, uma vez que o exame é “algo novo para eles” que “nunca estiveram numa sala de júri”. “Estavam bastantes preocupados, mas acho que se portaram muito bem”, afirmou.

Maria Rosa Lage recordou que alguns nem tinham a 1ª classe, outros a “2ª mal feita” e outros tinham a “3ª completamente esquecida”, sendo que este curso é “uma aprendizagem de tudo ao longo da vida”, onde aprenderam “a pintar, a recortar, as cores (que muitos não sabiam), a desenhar, escrever, ler, contar, as quatro operações (somar, subtrair, multiplicar e dividir), a raciocinar, a partilhar, a conviver, a falar, a comunicar e a dar”. “Eram pessoas muito fechadas que viviam no seu mundo, mas aprenderam a conviver. Neste momento, eles são novas pessoas”, salientou, acrescentando que, no final do exame, estavam “felizes e mais tranquilos”.

A professora denotou que existem “alguns” adultos que estão “com vontade de continuar” a aumentar as suas competências.

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A docente espera que o projeto possa continuar, tendo contado, neste “último ano”, com a muita ajuda das “juntas de freguesia de S. Romão, S. Mamede e Muro”, que foram “maravilhosas” e “estão disponíveis a continuar com este projeto”.

Lucinda Azevedo era a mais nova do grupo de dez formandos. Apesar de estar um “bocado nervosa”, garante que o exame correu “bem”. Durante o curso, aprendeu “a ler e a escrever”, uma vez que tinha “muita dificuldade”, pois abandonou a escola quando “era pequena”. Quando descobriu a valência do TCA, decidiu inscrever-se, pois precisava “muito de saber ler” para desempenhar bem o seu trabalho. “Foi muito sacrifício, pois andava sempre a correr de um lado para o outro. De manhã ia estudar e à tarde trabalhar até às 22 horas. Mas graças a Deus fiz o 4º ano e vou fazer o 5º e o 6º e por aí fora”, acrescentou.

Manuel Marques, o mais velho do grupo, foi outro adulto que viu as suas competências certificadas. Com 82 anos, aprendeu a fazer “muita coisa”, nomeadamente “muita pintura” e “boas letras”. Para Manuel Marques o tempo foi “muito bem empregue”, pois agora fala e compreende “melhor as pessoas”. Se pudesse aconselhava as pessoas a aproveitar esta oportunidade de certificar as suas competências, pois “isto não vai durar sempre”.  

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Edição 453

“O papel das bibliotecas escolares” em destaque na Trofa

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“As bibliotecas escolares são uma importante fonte de recursos que devem assumir, na escola, uma função preponderante e decisiva no apoio ao ensino e no processo educativo.” Dada a importância das bibliotecas escolares, o executivo da Câmara Municipal da Trofa vai promover, no início de janeiro, o seminário “O papel das bibliotecas escolares na aplicação das metas curriculares”.

A sessão tem como objetivo “criar um fórum de reflexão e discussão sobre esta matéria, procurando reforçar a importância da Biblioteca Escolar nas estratégias de ensino e aprendizagem, nomeadamente no que respeita ao cumprimento das metas curriculares”.

Nesta linha, a 16 de janeiro, entre as 16 e as 18 horas, o auditório da Escola Secundária da Trofa recebe este seminário, que contará com a presença de Fernando Pinto do Amaral, Comissário do Plano Nacional de Leitura, Elsa Conde, da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, Rosa Mesquita, professora e formadora na área das metas curriculares como oradores, e António Pires, coordenador inter-concelhio da Rede de Bibliotecas Escolares, como moderador.

A Rede de Bibliotecas da Trofa/SABETrofa é composto por um coordenador inter-concelhio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, várias professoras das bibliotecas escolares do concelho, o Bibliotecário da Biblioteca Municipal da Trofa e ainda representantes das Divisões de Cultura e Educação da Câmara Municipal da Trofa.  

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Edição 453

A pobreza é um atentado à dignidade humana

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Antes de ser objeto das políticas sociais falhadas, a pobreza é sobretudo um problema das erradas políticas económicas que as diferentes governações têm tido ao longo dos anos. É verdade que a redução da pobreza (não a sua eliminação), tem sido um dos principais objetivos nos programas de governação, em vários países, mas sem qualquer efeito, pois os índices de pobreza têm aumentado vertiginosamente. Para sofrimento de muitos!

O conceito de pobreza, que é um fenómeno multidimensional, começou por estar relacionada com a falta de rendimentos necessários para a satisfação das necessidades alimentares e não alimentares básicas, mas tem tido alterações significativas. Nas décadas mais recentes, foi-se alargando o conceito de pobreza, para abranger outros aspetos, como a falta de acesso à saúde e à educação, a falta de água e saneamento, o isolamento, a exclusão social, a vulnerabilidade e também o acesso equitativo ao sistema judicial, a não existência de habitação e transportes públicos acessíveis.

A pobreza em Portugal é um problema estrutural gravíssimo, um atentado à dignidade humana, que nos deveria envergonhar a todos e deveria mobilizar toda a sociedade para a sua resolução, o mais rapidamente possível, pois é indigno que um ser humano possa estar privado do direito básico de participar plenamente na vida social, económica, cultural e política da comunidade em que está inserido.

As taxas de pobreza no nosso país são assustadoras. Mais de um quinto da população portuguesa é pobre. São mais de 2 milhões de pobres (gente como nós) e desses, quase metade são trabalhadores (no ativo ou reformados), pois mais de 1/3 são reformados e mais de 1/4 são trabalhadores por conta de outrem, com salários muito baixos e vínculos precários, mas também com contrato sem termo. Tem sido um abuso este tipo de contratação. Um abuso oportunista!

É verdade, e não pode ser escamoteada a ideia de que em Portugal existe uma cultura de dependência do Estado, mas também não pode ser esquecido o facto de que a pobreza reproduz-se, gera ciclos de vulnerabilidade social, processos de exclusão e de desfiliação social. A própria Cidadania está desligada, pois a pobreza condiciona os acessos aos direitos, à participação social e política. Infelizmente!

São muitas vezes os mais vulneráveis que são mais atingidos e atirados para a pobreza extrema, pois além da perda de postos de trabalho, muitos enfrentam dificuldades para cumprir os seus compromissos financeiros, ter uma habitação decente ou ter acesso ao crédito, para além de existirem muitos pensionistas e reformados, com as suas parcas pensões, a sustentar os filhos e os netos.

Para além do quadro triste da pobreza, ainda existe uma realidade chocante nas ruas das cidades, que são os sem-abrigo. Neste tempo de noites gélidas, o nosso quotidiano está povoado desses seres que se colocaram à margem da sociedade, dita civilizada. E já são alguns milhares! Estas constatações são uma violência que fazem partir o coração. São uma triste realidade, que não podem ser combatidas com indiferença, mas com a intolerância de quem considera a pobreza um atentado criminoso contra a dignidade humana. Que venha o Ano Novo com mais esperança. Para todos!

José Maria Moreira da Silva

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moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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