No seu armário guarda "muitas taças", inclusive a taça referente ao segundo lugar alcançado no campeonato nacional. Baptista Andrade ainda disputou algumas provas em Vila do Conde, mas a sua paixão era o rali.

 Há mais de 50 anos que nutre um carinho especial pelas máquinas de quatro rodas e a "menina dos seus olhos" continua a ser a velhinha relíquia Porsche, que juntamente com seis dezenas de automóveis, compõem o Museu de Carros Antigos da Trofa. Baptista Andrade é um dos pilotos vivos da antiguidade do rali português. A paixão pela velocidade nasceu quando teve o primeiro filho, altura em que comprou "um Citroen antigo de 1936". Ocasionalmente foi fazendo colecção de viaturas e agora possui "mais de 60 carros antigos".

Apesar de ter abandonado as competições há muito tempo, o antigo piloto trofense ainda se recorda de alguns seus opositores mais directos também naturais da Trofa como "o Cinoco que ainda é vivo, o Arnaldo Ribeiro, o Dinho, o Jorge Azevedo".

No seu armário guarda "muitas taças", inclusive a taça referente ao segundo lugar alcançado no campeonato nacional. Baptista Andrade ainda disputou algumas provas em Vila do Conde, mas a sua paixão era o rali.

Na altura "não havia equipas, cada um corria por si", lembra o ex-piloto que referiu ainda que nunca recebeu qualquer apoio financeiro. O gosto pelos carros alimentava-se "com muito trabalho".

"Nunca me aproximei de ninguém para pedir apoio, porque era difícil. Conseguia manter este hobbie com muito trabalho, porque ficava caro. Gastei bastante dinheiro, porque os carros danificavam-se muito nas provas", referiu.

O seu Porsche antigo era a "menina dos seus olhos", porque sua condução "era a gás, ele era levezinho e difícil de conduzir, mas andava muito bem". A sua manutenção era especialmente feita "por um mecânico da Foz, que sabia mexer nos Porsches. Era um bom mecânico, dava-me assistência até ao fim do rali".

Segundo Baptista Andrade, dos ralis de há muitos anos até aos de hoje poucas diferenças se notam, "principalmente os que se fazem em terra batida, ainda hoje são como eram há 40 anos", recordando que "era preciso saber muito, porque os percursos estavam cheios de caminhos estreitos, muitas curvas, terra, muito pau e muita pedra. Em dias de chuva e neve é que era mais difícil".

Dos momentos mais marcantes não consegue eleger apenas um, afirmando que era tudo "emocionante", exceptuando-se os momentos em que "o carro avariava ou ia à valeta", asseverou.

O último rali que fez foi o "TAP, em que descia pela Pena de Lisboa, e o meu pendura, o Joaquim Monteiro enganou-se e indicou-me curva lenta à direita, quando era ao contrário, e sim uma curva esquerda muito apertada. Nem sei como me safei", recorda. Depois disso "disse adeus ao rali e vim para a Trofa trabalhar". Agora Baptista Andrade é responsável pela gestão do Museu de Carros Antigos da Trofa, localizado em Santiago de Bougado.