A Casa da Cultura encontrou sete trofenses, que estiveram em sete colónias e viveram a Guerra Colonial de várias formas.

Sangue, suor e lágrimas. Esta expressão pode ser um bom espelho do cenário de guerra. Mas nem sempre é esta a realidade que os soldados vivem. Que o diga Manuel Pinto, ex-combatente no Ultramar, que esteve mais de dois anos na Guiné-Bissau e não viu sangue derramado. Mas o suor escorreu-lhe pela face todos os dias, tais eram as temperaturas altas que se faziam sentir e o esforço empenhado na construção das “tabancas” (habitações dos nativos), uma das tarefas que lhe foi confiava enquanto esteve mobilizado. Esta e outras histórias de outros seis homens estão documentadas numa exposição na Casa da Cultura que estará patente ao público até 31 de dezembro.

A evocação dos 50 anos da Guerra Colonial não podia passar ao lado do concelho da Trofa, que teve muitos “filhos da terra” ao serviço da pátria.

 

Para Manuel Pinto, a estadia na Guiné durante mais de dois anos ainda traz muitas recordações. As melhores constroem-se de gestos humanitários: “Quando me deslocava para esse trabalho (construção das tabancas), levava dois ‘casqueiros’, que era o pão que sobrava no quartel nos bolsos das calças do camuflado, para repartir com os africanos, tal era a miséria”.

Para além de enfrentar as temperaturas altas, Manuel Pinto teve que aguentar as saudades de casa. No entanto, as memórias ainda levam a que derrame algumas lágrimas.

Cinco vídeos, três livros e várias fotografias. Joaquim Sousa contribuiu com muito material, que relata a sua estadia em Angola. Muitas são também as histórias que o ex-combatente guarda daqueles tempos. A última passou-se já quando regressava a casa. Depois de apanhar um comboio de mercadorias, juntamente com um colega de Ribeirão, chegou cedo à Trofa e teve de passar a noite na estação. “No dia seguinte, que era de S. Martinho, houve uma missa e quando rebentou um foguete, o meu colega, que estava mais habituado à ‘porrada’ do que eu, caiu e bateu com a cabeça”, contou.

Esta exposição surge integrada no programa de comemorações dos 13 anos do concelho da Trofa. Na mostra intitulada “Sete colónias, sete homens e três guerras e meia” pode ver-se o caso particular de Júlio Reis  que esteve na apelidada de “meia-guerra”. Maqueiro em Pondá, na Índia, tal como outros quatro trofenses, encontrava-se neste território quando as forças armadas indianas o invadiram, ficando como prisioneiro de guerra durante seis meses até à sua deportação para Portugal, via Paquistão.

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