teresa-fernandesA transmissão de valores só é possível quando se estabelece uma relação de proximidade entre as várias gerações, sendo que a relação avós netos desempenha um papel fundamental.

A Assembleia da Republica, consciente da importância crescente dos avós no seio familiar e na sociedade civil, decretou, em 2003, que no dia 26 de Julho, seria celebrado o “Dia dos Avós”.

Com a esperança média de vida a crescer, há cada vez mais avós reformados, ainda jovens, com disponibilidade e capacidade física e mental para cuidarem dos netos, mas sobretudo com muita paciência, amor e valores para transmitirem.

Em vez de colocarem desde os 4 ou 5 meses os filhos em creches e infantários (que nem sempre são em número suficiente para cobrirem as necessidades), e quando há avós por perto e com vontade de ajudar na educação dos netos, os pais optam por deixar os seus filhos aos cuidados dos avós.

Para os pais a opção de deixarem os seus filhos com os avós torna-se a opção mais fácil e cómodo. Sabem que os filhos ficam bem entregues, não necessitam de se preocupar com as horas de fecho das creches e infantários, mas, muitas vezes deixam de exercer o seu papel de educadores, delegando-o nos avós.

Os pais ficam mais descansados, mas os avós tomam a seu cargo uma nova responsabilidade que condicionará as suas vidas.

Existem de facto desvantagens, mas acredito que as vantagens as superam. Para os avós tomarem conta dos netos, poderá ser visto como uma segunda oportunidade para corrigirem o que consideram que fizeram mal na educação dos filhos, para fazerem o que não fizerem com os filhos por falta de tempo e muitas vezes de recursos, para se sentirem úteis e activos, para combaterem a solidão e sobretudo para poderem transmitir aos netos as suas historias, os seus valores e contribuírem para a construção de uma personalidade e assim ficarem para sempre recordados.

Para os netos o facto de poderem conviver diariamente com os avós é um privilégio enorme, que será lembrado durante toda a vida.

Infelizmente, já não tenho os meus avós, mas guardo imensas recordações e muitas aprendizagens da época em que pude conviver com eles e aprender.

Foi a minha avó Branca que me passou a doçura da vida, que pelo seu exemplo de vida me ensinou a ser séria, trabalhadora, honesta, humilde, a ter fé e a encarar a vida com optimismo, a ser amiga do amigo e estar sempre pronta a ajudar.

Com o meu avô Manuel aprendi a escrever, a tomar notas de tudo a ser organizada e nunca esquecerei as histórias que com emoção me contava.

Relembro ainda com saudade e carinho o avô Guilherme e a avó Felisbela, que no fim da sua vida tão dependente estava de mim.

Foi um privilégio enorme poder conviver com eles e tenho muita pena de não os ter hoje aqui comigo, porque muito mais teria a aprender.

Embora existam ainda muitos que consideram os mais velhos um fardo, não os respeitam, não os ouvem, não os amam, a verdade e que não nos podemos esquecer que os avós e os mais velhos são uma parte de nós, são as nossas raízes, o nosso passado e o nosso presente.

Nas sociedades orientais, os mais velhos são símbolo de sabedoria e experiência de vida, e as nossas sociedades ocidentais deveriam seguir o exemplo.

Não esqueçamos que um dia nós também seremos avós!

Que a convivência avós netos seja gratificante para todos, que a relação seja de total respeito pelo papel e pela identidade de ambos.

Todos os dias são dias para mimar os avós, mas no dia 26 de Julho, vamos dar um abraço e um beijo especial, mesmo que não fisicamente!

Teresa Fernandes