As comemorações do centésimo aniversário da Caixa de Crédito Agrícola do Médio Ave ficaram marcadas pela homenagem aos fundadores, associados, clientes e colaboradores.

 

“Todo o agricultor que possa dar uma garantia de que é honesto e trabalhador tem na Caixa de Crédito Agrícola o seu melhor amigo e não precisa de bater a outra porta”. Esta foi a mensagem dos 15 fundadores da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vila Nova de Famalicão que, há cem anos, motivados pelo mau ano agrícola, criaram uma agência cooperativa para dar apoio aos agricultores para as sementeiras vindouras.

A efeméride foi assinalada com pompa e circunstância, no sábado, 30 de novembro, pelos atuais gestores da instituição, cuja sede em Famalicão conta agora com uma placa onde estão inscritos os nomes daqueles que impulsionaram na região o espírito do Crédito Agrícola. A valorização da história continuou na sessão solene que teve lugar na Casa das Artes e que contou com a presença de representantes de diversas entidades ligadas ao mundo cooperativo.

Desde 2010 denominada Caixa de Crédito Agrícola do Médio Ave, pela integração das agências dos concelhos da Trofa e Santo Tirso, a instituição conta com “cerca de dois mil associados, várias dezenas de milhares de clientes e abrange todos os setores de atividade económica”, anunciou o presidente do conselho de administração, Germano Abreu. “Com uma gestão rigorosa e equilibrada, sustentada em competências técnicas e opções estratégicas flexíveis, foi possível ir vencendo as naturais dificuldades de um longo percurso de cem anos, por vezes muito atribulado”, acrescentou.

As marcas identitárias do Crédito Agrícola, evidenciou, são “a criação e a preservação de uma relação de proximidade com os seus associados e clientes” e “o atento acompanhamento da dinâmica social e económica das comunidades locais que pretende valorizar e servir”.

Citando o Conselho Nacional para Economia Social, na carta de Cascais, de junho, Germano Abreu destacou o trecho que apelida as cooperativas como “expressão do modelo social e económico sem perdedores que se inspira nos valores da solidariedade, da igualdade, da justiça, da equidade e da transparência, em prol da coesão social e da democracia”. “A persistência na prática desses valores e o acompanhamento dos modelos de gestão e adoção de métodos de operação de instrumentos adequados para a sua execução contribuíram decisivamente para uma evolução sustentada e uma afirmação social e financeira que, também pela prestigiosa consideração granjeada junto dos seus pares, permitem encarar o futuro com confiança e otimismo.

Licínio Pina, presidente do conselho de administração executivo da Caixa Central, considera que a Caixa do Médio Ave “é o exemplo de uma instituição solúvel, com gestão cuidada, que dinamiza a sua região” e “é solidária, pois quando chamada à sua responsabilidade respondeu afirmativamente para consolidar com uma caixa vizinha e desenvolver um projeto sólido que garanta às pessoas e empresas da região maior e melhor apoio”.

Apesar das antigas previsões terem sido desfavoráveis, o modelo cooperativo tem conseguido enfrentar a crise, fazendo do Crédito Agrícola “o sétimo maior grupo financeiro do país”, frisou Licínio Pina. Por sua vez, Germano Abreu explicou que “a estabilidade e a aversão ao risco” tornam as cooperativas financeiras “empresas que geram e devem gerar excedentes, que se convertem em reservas que lhes asseguram a força e põem-nas ao abrigo dos problemas que são originados pelas exigências de capital próprio impostas pelos reguladores”.

No entanto, a atividade do modelo cooperativo está exposta a novos desafios provenientes da regulamentação da União Europeia, que emerge fruto da recessão que também atingiu o sistema financeiro. Quem o diz é Francisco Silva, presidente da Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola, que frisou: “As Caixas Agrícolas vão ter que absorver a regulamentação nacional decorrente dessa chamada União Bancária, que vai implicar com muitos aspetos do nosso funcionamento”.

Para além de relembrar os fundadores, as comemorações também serviram para homenagear os associados, clientes e colaboradores que contribuem para o sucesso da instituição. À sessão solene seguiu-se um almoço, na Quinta do Palácio Rauliana, em Ribeirão.