Já lá vão mais de vinte anos, que a União Europeia acordou em Maastricht a moeda comum. Estávamos em 1991, e dez anos mais tarde, em 2001, o euro tornou-se realidade, passando a ser a segunda moeda mais importante e a moeda mais estável na economia mundial. Com o advento do euro, obviamente foram extintas as moedas nacionais dos países aderentes, algumas delas bem fortes, como a moeda alemã, o marco; e outras menos fortes, como a moeda portuguesa, o escudo.

O mundo, de lá para cá, mudou desmesuradamente. Depois da queda do Muro de Berlim (1989) e a consequente libertação das nações do leste europeu, deu-se: a implosão da União Soviética; a ascensão espantosa do colosso que é hoje a China; o progresso económico de países, que antigamente chamávamos «Terceiro Mundo» e que hoje são apelidados de «países emergentes», como o Brasil e a Índia; a globalização das economias reais, que se instalou em grande parte do mundo: quase todos os estados dependem uns dos outros; e também a situação dos mercados financeiros globalizados, que se apoderaram de um poder sem qualquer tipo de controlo.

Simultaneamente, a humanidade triplicou em pouco mais de sete décadas, multiplicou-se de forma explosiva atingindo os 7 mil milhões, quando em meados do século passado era apenas de 2 mil milhões. Todas estas mudanças de grandes proporções originaram consequências tremendas nos estados europeus, nos seus povos, no seu bem-estar, mas quase todos exultam pelos Direitos Humanos e regozijam-se pela Paz.

O mundo está perante uma profunda crise – financeira, económica e social -, mas a Europa está, cada vez mais, prisioneira da crise da dívida, não só a soberana, mas também a dívida privada, a dos bancos e a das famílias, que estão cada vez mais endividadas. A crise da dívida ameaça, permanentemente, a sobrevivência da moeda única e coloca a hipótese de rutura da zona euro. E que acontecerá se o euro acabar e Portugal tiver que efetuar a emissão, de novo, da sua moeda antiga, o escudo?

Perante os sinais evidentes de que a Europa pode não conseguir travar o alastrar da crise, os empresários portugueses mostram a sua preocupação ao mandarem avaliar o impacto da saída de Portugal do euro. Para se entender melhor o que representa o abandono da moeda única e o regresso à moeda antiga, essa passagem para o escudo, pode custar a Portugal, segundo esse estudo que a Sonae mandou efetuar, até 122 milhões de euros. Passar do euro para o escudo, pode custar mais de 10 mil euros a cada português.

O custo do regresso ao escudo, inclui o incumprimento soberano, o incumprimento das empresas, o colapso do sistema bancário e o colapso do comércio internacional. Com a saída do euro e o regresso à moeda antiga, fortemente desvalorizada, surgiria também o problema do credor querer continuar a receber em euros.

Perante este cenário, os portugueses passariam a ter uma dívida em euros, mas os nossos ativos (salários, bens patrimoniais e outros bens) estariam valorizados na moeda antiga – o escudo -, com valor muito baixo. Manter o valor em euros significaria um aumento grande das dívidas em moeda nacional, quer para as famílias quer para as empresas Ou seja, precisaríamos do dobro ou triplo do esforço em escudos para pagar as dívidas em euros.

O fim do euro e o regresso ao escudo seria uma catástrofe! Os portugueses estão à beira do abismo e já não aguentam mais. Esse caminho de regresso à moeda antiga levaria a um desastre de grandes proporções. É preciso que a moeda única continue, e se fortaleça, estabelecendo-se, o mais rápido possível, as traves mestras de uma nova Europa, a Europa das pessoas. Para bem da Europa! Para bem de Portugal!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

{fcomment}