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Edição 453

Espírito de Natal invade Centro Social e Paroquial de S. Mamede

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Centro Social e Paroquial de S. Mamede do Coronado assinalou o Natal com uma festa para todos os utentes.

“Que este sonho de Natal / No seu sentido integral / Traga uma esperança contida / de amor e fraternidade / e recíproca amizade / p’ra ter mais sentido a vida”. O poema é da dona Etelvina, que quis ter um papel ativo na Festa de Natal do Centro Social e Paroquial de S. Mamede do Coronado, realizada na tarde de sexta-feira. Também outros utentes responderam ao desafio das funcionárias da instituição e, além de declamarem poemas, dançaram e cantaram para o público presente.

E, desengane-se quem pensa que só os pequenos gostam da visita do Pai Natal. Os utentes deste centro são a prova que a alegria presente nesta figura contagia qualquer que seja a faixa etária. O homem das barbas brancas chegou de coche e distribuiu presentes por todos, para assinalar a época e mostrar que “o centro tem a dinâmica e a dimensão da paróquia, de Cristo e do Natal que esperamos neste tempo do Advento”, afirmou o padre Rui Alves, presidente da direção.

Diretores, funcionários e Liga dos Amigos juntaram-se para proporcionar uma festa de Natal recheada de amor e carinho aos seniores que lá vivem, ou passam grande parte do seu tempo. Depois da eucaristia, os utentes tiveram direito a um almoço onde não faltou as batatas cozidas e o bacalhau e as sobremesas típicas como a aletria e as rabanadas.

Rui Alves destacou que esta iniciativa “não é um caso isolado”, afirmando que, ainda no dia anterior, “a conferência vicentina esteve cá a animar a tarde, com os jovens da catequese a cantar”. “Queremos que este seja um espaço de vida, dinâmico e que a paróquia esteja envolvida”, acrescentou.

Com três meses de atividade, o Centro Social está “quase lotado”. O lar tem preenchidas as inscrições e o mesmo está prestes a acontecer com o centro de dia. Já o apoio domiciliário vai arrancar “em janeiro”, pois só agora chegaram as carrinhas. A elevada ocupação, sublinhou o padre, “mostra que o centro era necessário e que tem um enorme valor que, se calhar, durante imuto tempo se duvidou”. “O edifício transformou-se numa casa e foi preciso pôr mãos à obra com miuto espírito de vontade e acreditar e as dificuldades continuam. A criança nasceu, mas continua a ser preciso um esforço enorme da direção, da paróquia, da liga de amigos e da população”, asseverou.

Os utentes do Centro Social são “maioritariamente de S. Mamede e S. Romão”, mas também há pessoas oriundas “de outras freguesias do concelho da Trofa, da Maia e de Paços de Ferreira e Paredes, os dois últimos devido ao acordo com a Segurança Social”.

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Para além de “desejar um bom Natal a todos os trofenses, de forma especial aos paroquianos de S. Mamede, S. Romão e S. Cristóvão do Muro”, Rui Alves pediu a todos que “continuem a olhar para o Centro Social e Paroquial não como algo que entrou na concorrência, mas como mais uma valência que completa mais a rede social que existe na terra e que, se calhar, ainda é pouca para fazer face às necessidades atuais”.

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Edição 453

“O papel das bibliotecas escolares” em destaque na Trofa

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“As bibliotecas escolares são uma importante fonte de recursos que devem assumir, na escola, uma função preponderante e decisiva no apoio ao ensino e no processo educativo.” Dada a importância das bibliotecas escolares, o executivo da Câmara Municipal da Trofa vai promover, no início de janeiro, o seminário “O papel das bibliotecas escolares na aplicação das metas curriculares”.

A sessão tem como objetivo “criar um fórum de reflexão e discussão sobre esta matéria, procurando reforçar a importância da Biblioteca Escolar nas estratégias de ensino e aprendizagem, nomeadamente no que respeita ao cumprimento das metas curriculares”.

Nesta linha, a 16 de janeiro, entre as 16 e as 18 horas, o auditório da Escola Secundária da Trofa recebe este seminário, que contará com a presença de Fernando Pinto do Amaral, Comissário do Plano Nacional de Leitura, Elsa Conde, da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, Rosa Mesquita, professora e formadora na área das metas curriculares como oradores, e António Pires, coordenador inter-concelhio da Rede de Bibliotecas Escolares, como moderador.

A Rede de Bibliotecas da Trofa/SABETrofa é composto por um coordenador inter-concelhio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, várias professoras das bibliotecas escolares do concelho, o Bibliotecário da Biblioteca Municipal da Trofa e ainda representantes das Divisões de Cultura e Educação da Câmara Municipal da Trofa.  

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Edição 453

A pobreza é um atentado à dignidade humana

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Antes de ser objeto das políticas sociais falhadas, a pobreza é sobretudo um problema das erradas políticas económicas que as diferentes governações têm tido ao longo dos anos. É verdade que a redução da pobreza (não a sua eliminação), tem sido um dos principais objetivos nos programas de governação, em vários países, mas sem qualquer efeito, pois os índices de pobreza têm aumentado vertiginosamente. Para sofrimento de muitos!

O conceito de pobreza, que é um fenómeno multidimensional, começou por estar relacionada com a falta de rendimentos necessários para a satisfação das necessidades alimentares e não alimentares básicas, mas tem tido alterações significativas. Nas décadas mais recentes, foi-se alargando o conceito de pobreza, para abranger outros aspetos, como a falta de acesso à saúde e à educação, a falta de água e saneamento, o isolamento, a exclusão social, a vulnerabilidade e também o acesso equitativo ao sistema judicial, a não existência de habitação e transportes públicos acessíveis.

A pobreza em Portugal é um problema estrutural gravíssimo, um atentado à dignidade humana, que nos deveria envergonhar a todos e deveria mobilizar toda a sociedade para a sua resolução, o mais rapidamente possível, pois é indigno que um ser humano possa estar privado do direito básico de participar plenamente na vida social, económica, cultural e política da comunidade em que está inserido.

As taxas de pobreza no nosso país são assustadoras. Mais de um quinto da população portuguesa é pobre. São mais de 2 milhões de pobres (gente como nós) e desses, quase metade são trabalhadores (no ativo ou reformados), pois mais de 1/3 são reformados e mais de 1/4 são trabalhadores por conta de outrem, com salários muito baixos e vínculos precários, mas também com contrato sem termo. Tem sido um abuso este tipo de contratação. Um abuso oportunista!

É verdade, e não pode ser escamoteada a ideia de que em Portugal existe uma cultura de dependência do Estado, mas também não pode ser esquecido o facto de que a pobreza reproduz-se, gera ciclos de vulnerabilidade social, processos de exclusão e de desfiliação social. A própria Cidadania está desligada, pois a pobreza condiciona os acessos aos direitos, à participação social e política. Infelizmente!

São muitas vezes os mais vulneráveis que são mais atingidos e atirados para a pobreza extrema, pois além da perda de postos de trabalho, muitos enfrentam dificuldades para cumprir os seus compromissos financeiros, ter uma habitação decente ou ter acesso ao crédito, para além de existirem muitos pensionistas e reformados, com as suas parcas pensões, a sustentar os filhos e os netos.

Para além do quadro triste da pobreza, ainda existe uma realidade chocante nas ruas das cidades, que são os sem-abrigo. Neste tempo de noites gélidas, o nosso quotidiano está povoado desses seres que se colocaram à margem da sociedade, dita civilizada. E já são alguns milhares! Estas constatações são uma violência que fazem partir o coração. São uma triste realidade, que não podem ser combatidas com indiferença, mas com a intolerância de quem considera a pobreza um atentado criminoso contra a dignidade humana. Que venha o Ano Novo com mais esperança. Para todos!

José Maria Moreira da Silva

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moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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