Abriu uma nova valência no concelho da Trofa. O Gabinete de Apoio à Saúde é um espaço transitório, enquanto o novo Centro de Saúde não estiver a funcionar.

A Trofa conta agora com um novo Gabinete de Apoio à Saúde. Este espaço foi inaugurado pela autarquia trofense no dia 9 de junho, juntamente com os parceiros do projeto.

A funcionar na Rua D. Pedro V, no centro da cidade, o Gabinete está direcionado para a Unidade de Cuidados à Comunidade, disponibilizando “serviços que até agora não existiam”, afirmou Magalhães Moreira, vice-presidente da Câmara Municipal. Esta inauguração teve um sabor agridoce para o autarca, já que se por um lado “se dá novas valências à população”, por outro “seria muito melhor se se estivesse a inaugurar o novo Centro de Saúde, que será construído em Santiago de Bougado”. “Apesar do seu elevado grau de endividamento, a Câmara fez um esforço e comprou o terreno e o protocolo para a cedência do direito de superfície está pronto e deverá ser assinado por estes dias com a Administração Regional de Saúde”, explicou.

Mas enquanto o projeto não arranca, o novo Gabinete de Apoio à Saúde vai poupar algumas viagens à unidade de Santo Tirso do Centro Hospitalar, já que disponibilizará serviços que ainda não existiam na Trofa.

Este espaço transitório “dá condições de trabalho aos profissionais” e “conforto aos utentes”, colmatando, em parte um “défice de instalações que a Trofa tem ao nível dos cuidados de saúde primários”, sublinhou Francisco Gil Pinheiro, diretor do Agrupamento de Centros de Saúde de Santo Tirso/Trofa.

O responsável enaltece a construção de um novo centro de saúde e coloca fora de hipótese a ampliação do atual. “É um edifício antigo, com cerca de 50 anos, que não tem elevador e acessos mínimos para doentes com dificuldades. Penso que é impossível fazer-lhe qualquer coisa”, frisou.

Mesmo com a abertura deste espaço, existem outras necessidades, pois segundo Francisco Gil Vicente, “existem sete mil pessoas a descoberto na Trofa”, facto agravado com “a saída de três médicos, que foram para a reforma”.

 

Gabinete também serve IDT

 

O Gabinete de Apoio à Saúde nasceu também de uma parceria com o Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT). Os serviços de assistência que estavam a “ser feitos em condições miseráveis”, hoje, têm “toda a qualidade”, revela Magalhães Moreira.

O autarca não considera que o facto de o Gabinete estar localizado numa zona central é prejudicial para os toxicodependentes. “O outro Centro de Saúde também é uma zona central e não havia esse problema. Aqui eles passam na rua, entram, são atendidos e passam muito mais depressa despercebidos. Existe também uma integração social, porque vêm a sítios que são frequentados por toda a gente”, asseverou.

Já Santos Silva, sub-delegado regional do IDT, enalteceu a colaboração da Câmara Municipal, que “é sensível à importância de uma resposta de proximidade”, que é dada através das consultas descentralizadas e da responsabilidade do Centro de Respostas Integradas (CRI) do Porto Ocidental.

Para o IDT, a parceria tem como objetivo “alargar o mais possível a rede de cuidados integrados de proximidade com os utentes que são incompatíveis com outras deslocações”.

A colaboração da autarquia com o IDT existe “há três anos” e o CRI está organizado “em quatro áreas de missão”: prevenção, reinserção, tratamento/redução de riscos e minimização de danos”. As consultas realizam-se uma vez por semana a cerca de 200 utentes no concelho. “É nosso dever que, com os recursos disponíveis, consigamos chegar à maior quantidade de utentes possível e lhes prestemos cuidados. Temos tido parcerias que são sensíveis à nossa função social, o que é muito importante”, frisou.

No futuro, o Gabinete de Apoio à Saúde vai ainda disponibilizar consultas no âmbito da Unidade de Saúde Pública, uma vez por semana, e reservará ainda um outro dia semanal para as consultas do Centro de Diagnóstico Pneumológico.

 

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