Manuel Bajão, residente na Trofa, dedicava-se a fazer esculturas em pedra, e assinou várias obras entre elas a do Cristo Rei, situado em Santiago de Bougado. Uma arte que foi desenvolvendo desde os seis anos de idade e que terá que abandonar devido aos furtos dos últimos anos.

Foi com apenas seis anos que Manuel Bajão começou a descobrir a arte de canteiro. Desde muito cedo, começou a trabalhar com o seu pai. Por exemplo, “ia tocar à ventoinha”, para que o pai conseguisse afiar as ferramentas, entre picos e ponteiros para cerca de 20 canteiros, e também ia-lhes buscar água.

Com este contacto desde tenra idade, aprendeu a “arte de saber trabalhar a pedra”, o que é “muito difícil”, pois, para isso, tem que se “conhecer a febra da pedra, desde o troço, o correr e o levante”. Contudo, Manuel Bajão frisa que “no que respeita à arte, esta não se aprende”, é “um dom adquirido”. A primeira obra foi “uma carranca”, elaborada quando tinha cerca de sete anos, com o intuito de trocá-la por um quadro de Henrique Medina. “Eu gostei do quadro que ele estava a pintar, que era o pastor. Eu disse-lhe que também fazia uma peça, em troca do quadro. Ele disse-me que não, mas deu-me uma réplica”, contou.

Natural de Marinhas, Esposende, o escultor decidiu morar na Trofa depois de se ter casado. Como não tinha trabalho e para sobreviver, decidiu “trabalhar a pedra” e começou a fazer “grandes peças”, para entidades privadas, empresas e câmaras municipais. Diz que o seu “azar foi ter vindo para aqui (Trofa)”, porque “vivia melhor lá (Marinhas) ou no Algarve”. 

Sempre trabalhou sozinho, pois não acredita que haja “artistas ou alguém que sobreviva na arte trabalhando acompanhado”. Já perdeu a conta ao número de peças por si elaboradas, tanto as de grande como as de pequeno porte, visto que já trabalha nesta área há cerca de 30 anos. A obra que demorou mais tempo a concretizar e de “maior tonelagem” foi a do Cristo Rei, que está implantada em Lantemil, Santiago de Bougado, tendo trabalhado nela durante cerca de dez meses. Uma imagem feita em granito e com cerca de cinco metros de altura. Tirando a escultura de um espanhol com seis metros de altura, esta é uma das maiores imagens em granito. Um pedido do padre Armindo Gomes, para a paróquia de Santiago de Bougado.

Leia a reportagem completa na edição desta semana d’ O Notícias da Trofa, disponível num  quiosque perto de si ou por PDF.

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