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Edição 750

Escrita com Norte: Acordem-me

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Vivia-se o fervor da campanha eleitoral. Todos os candidatos tinham a perfeita noção do estado do país. Cada um deles tinha o seu projecto e programa eleitoral, todos diferentes, mas cada um deles feito a pensar no melhor para a população.
Em todos os comícios estava presente um juiz, que ligava a máquina detectora de mentiras ao candidato ao “poder” durante os discursos! Por cada mentira a máquina emitia de forma bem audível a palavra-passe, “ALDRABÃO”, que dava o sinal para o juiz mostrar o cartão vermelho e expulsar o candidato e todo o seu partido da campanha eleitoral!
Estes juízes também acompanham os candidatos em visitas a escolas, lares,…, e feiras. Por cada sorriso dirigido a uma criança ou beijo numa peixeira, que não sejam sinceros, os candidatos vão acumulando infracções, correndo o risco de não se poderem candidatar durante os próximos 20 anos! Nestas ultra maratonas eleitorais são muitos à partida e raros à chegada, graças ao juiz, que elimina, na altura certa, os que iam afundar o país!
Estou a assistir a um desses comícios e a máquina dispara, “ALDRABÃO”, o juiz saca de cartolina vermelha e dá ordem de expulsão ao candidato, eu olho para o lado e vejo a miúda mais gira da freguesia, de braços abertos, a correr para mim…
Tititititi, tititititi, tititititi…!
Assustado o meu corpo estremece! Caio de uma dimensão para outra, olho para o lado e…aquele despertador continua a assustar-me!

– Que raio de sonho! – suspiro baixinho.
Enquanto tomo o pequeno-almoço, na televisão aparece um bandido, mesmo bandido, que, mesmo preso, é candidato autárquico! Num raro lampejo mental, aquela hora da manhã, tive uma ideia brilhante, “Vou criar e fazer parte de uma lista encabeçada pelo Ronfe!”.
Ronfe é um burro Azinino, que pasta num campo em frente a minha casa, propriedade de um senhor amigo, e tenta montar tudo o que mexe…Ronfe é o candidato perfeito! A troco de um lugar na lista, o dono do Ronfe, cedeu-mo.
Abre a época de campanha. Os comícios sucedem-se uns atrás dos outros e como não há juiz nem máquina detectora de mentiras, elas sucedem-se umas atrás das outras, os beijos e sorrisos encenados brotam como água da fonte….Ronfe lambuza toda a gente, mas está a perder terreno. Enquanto eu, porta voz do Ronfe, prometo sonhos, os outros candidatos prometem delírios e denigrem a imagem de Ronfe dizendo que ele não tem passado político!
Chega o último dia de campanha e as sondagens dão o último lugar a Ronfe. Num esforço financeiro final, distribuem-se canetas com um assobio que faz de tampa e bandeiras e autocolantes com a fotografia do burro e o dizer, “Ronfe é burro, mas não é parvo”, e em total desespero bebo uma garrafa de whisky e “snifo” heroína, para o discurso final!
No domingo, ao final da tarde, Ronfe é declarado vencedor. Dizem que a promessa, feita no discurso final, de fazer passeios intergalácticos nos autocarros da “Pacense”, foi decisiva!
Ronfe é um governador deste país e desde que tenho consciência de mim como ser político, estou à espera de ouvir “tititititi, tititititi, tititititi…”, para acordar deste pesadelo!

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Edição 750

Cruzamento/rotunda do Catulo – Ponto de Encontro de várias rotas: Praça central da Trofa?

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Catulo é como os trofenses costumam designar o cruzamento das estradas EN 14 e EN 104, no centro da Trofa. Entretanto, Catulo quer dizer em excesso, em demasia, por exemplo: um prato servido em catulo é um prato excessivamente cheio.

Desde, pelo menos, os anos 50, 60, 70 (e seguintes), do século passado, que os jovens trofenses associam à zona do “Catulo” da Trofa a um ponto de encontro, de reunião de dezenas de pessoas que se juntavam nas cercanias da actual rotunda do Catulo (antigo Cruzamento do Catulo) para conversarem, “admirarem” o trânsito ou passagem de peões, ciclistas, motociclistas e automobilistas. Era uma “rotina” que fazia parte do “programa” de muitos trofenses, que acontecia ao fim de tarde dos dias de semana, entre as 17h00 e as 19h30. Em frente à rotunda, durante muitos anos estava a avenida de acesso à Capela de Nª Sª das Dores… que deixa saudades!
Também foi neste “Catulo” (cruzamento) que ocorreram grandes manifestações de índole desportiva (algumas até violentas, no ano de 1993). Outras se seguiram, em apoio quer ao C.D. Trofense, quer nas festas de consagração de títulos de Campeões (Porto, Benfica, ou Sporting).
Ao longo de muitos anos este local (agora Rotunda do Catulo) foi e continua a ser ponto de “passagem” (actualmente poderia ter o nome de “Praça”), em virtude de representar, para os trofenses, um local histórico e “icónico”.
Algumas das razões ( invocadas) para justificar a“Praça Central”.
1- Desde há mais de um século e meio que a EN 14( inaugurada no ano de 1856), herdeira da Estrada Real que liga Porto a Braga serviu de ponto de passagem (pela Trofa) de pessoas e animais, quer em direção à cidade dos Arcebispos, quer como ponto de peregrinação à Catedral de Santiago de Compostela. Antes de ser estrada real era uma das vias Romanas( a Via Romana XVI) que atravessava o centro da Trofa. Hoje continuam a ser aos milhares os que atravessam a nossa cidade em viagem/direcção aos seus trabalhos. .
2- Também a estrada EN 104 que liga a cidade de Santo Tirso a Vila do Conde “cruza”no actual Catulo com a EN 14. Quantos milhares de pessoas (de carro, autocarro, de bicicleta ou motociclo) não atravessarão anualmente a cidade da Trofa, em deslocação quer para os seus empregos ou simplesmente para lazer ? (Turismo ou praia).
3-Também, é considerado muito importante o movimento de muitas pessoas, vindas de várias regiões do país, de comboio, para assistirem aos grandes eventos da quase tricentenária romaria de Nª Sª das Dores. É sabido e notório que a nossa procissão é única e tem muita fama, pelos seus 10 andores “icónicos” que passam pelas ruas principais. Os romeiros “apinham-se” pelo centro da cidade e convergem, na sua grande maioria para a zona do “Catulo” e pelas ruas adjacentes para apreciarem a beleza do trabalho (decoração) e a imponência dos andores.
4-Há outras centenas de pessoas que chegam à Trofa diariamente, atravessam o centro a pé, de carro (ou outro transporte), em passeio ou em peregrinação/romaria para Fátima, S. Bento da Porta Aberta, Sameiro, Balazar, Nª Sª da Assunção (Santo Tirso)ou Ermesinde (Santuário de Santa Rita), etc.
Há algumas zonas do centro da cidade que já tiveram/ou ainda possuem nomes de praça, (embora não oficial), como por exemplo a “Praça Vermelha” ( o largo de São Martinho). Existe uma “praceta” 🙁 Praceta São Bento)…mas Praça Central, não há.
Com a construção da nova variante à EN 14 (Estrada Nacional 14)- que se deseja tão breve quanto possível-, e posterior desvio do trânsito pelo centro da cidade-tal como o fizeram há bastantes anos os concelhos nossos vizinhos,- é chegada a hora de, finalmente, resolver o “cancro” do “CATULO.”
E que tal se se procedesse a uma requalificação deste espaço (Catulo), que faz parte da história antiga e recente da nossa cidade… de maneira a” transformar “esta zona na MAIOR PRAÇA DA TROFA ?
Os trofenses sempre foram bons “anfitriões”, sempre receberam bem quem nos visita e continuarão a acolher, de bom grado, todos aqueles que, por qualquer razão, estão de passagem pela nossa terra..
Há dezenas de placas a assinalar as nossas instituições, (existentes na Trofa), outras, indicativas de empresas, o que denotam o desenvolvimento industrial, comercial e social trofense. Nota-se, no entanto, uma lacuna, que será necessário colmatar:e que só dignifica as gentes trofenses:
Porque não ( quem de direito) colocar nas entradas e saídas da nossa cidade (nas estradas nacionais) 8 (oito) placas : quatro “BEM-VINDO À TROFA” e outras quatro “OBRIGADO-BOA VIAGEM”?

António Costa

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Edição 750

Crónica Verde: Areia para gatos e policórnios

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Aos poucos, vamos “reabrindo”, com renovada esperança. Neste “novo normal”, reforçamos o mote: continuar a ajudar a mudar mentalidades e comportamentos, perante a urgência do desafio climático e de uma comunidade do Coronado mais inquieta e sustentável.

As saídas de campo prosseguem, diurnas e nocturnas, seja a piscar o olho à flora ou a (ad)mirar a fauna. Abordamos aquele arbusto que, por vezes, vira praga, a silva e, com a entrada do Outono, colhemos as últimas amoras silvestres (Rubus plicatus). Fruto pequeno, saúde (da) grande: é antioxidante, anti-inflamatório, diurético, rico em vitaminas e sais minerais essenciais. E também fomos aos figos [pingo-de-mel], outro manjar da Natureza, com alto teor calórico, rico em fibras e em minerais e razoáveis quantidades de vitaminas. Que barrigada!
Já na escuridão do Vale, a indispensável lanterna para arregalar borboletas, pirilampos e morcegos. O anfitrião da noite, o sapo-comum (Bufo spinosus), guardião da horta, do jardim e do bosque, o nosso grande aliado no controlo de pequenas pragas. E registamos outro importante auxiliar: o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus). Infelizmente, ainda mal compreendido e até perseguido, muitas vezes, vítima das implacáveis roçadoras/capinadeiras ou até de palermas ao volante, o ouriço tem um papel fundamental no ecossistema. Com o furriel Outono a dar cartas e o general Inverno à espreita, nos próximos meses, a escassez de alimentos vai agravar-se e, por isso, disponibilizar alimento-extra – ração e fruta – é conveniente. A colónia de ouriços que acompanhamos está a crescer, confirmando o sucesso das medidas de monitorização e protecção implementadas. Fauna do Coronado, proteger e promover, um dever de toda a comunidade! Numa próxima crónica, outros admiráveis seres.
Ainda sobre a protecção da fauna selvagem e da promoção da biodiversidade local, por estes dias, resgatamos uma ninhada de gatos ditos de rua. E o que é que isto tem que ver? Ora, os simpáticos felinos são exímios na caça e na predação de aves, de borboletas e até mesmo dos ditos bichitos do solo. As descontroladas colónias, se não forem monitorizadas e intervencionadas, colocarão em causa o equilíbrio ambiental. Ajudar a reequilibrar, sob práticas harmoniosas e responsáveis, tem sido, há já alguns anos, uma das nossas tarefas, com discrição e, convenhamos, alguma eficácia. A propósito, se quiserem adoptar um dos felinos que acolhemos (em FAT), pois bem, contactem-nos. Desde já, agradecemos a habitual e atenta colaboração do Canil Municipal da Trofa nesta campanha de adopção responsável, com oferta de microchip, castração e saco de ração. Outra campanha, a urgente CED, também será implementada.
Na onda das autárquicas, desenvolvimento sustentável? E mitigação das alterações climáticas? Aterro da Quinta de São Romão?!
Herbicida, nas escolas, ruas e cemitérios?! Fundo de Financiamento de Freguesias? ASCOR? Alguns dos (re)eleitos, se tivessem bolas (de capão) e consciência, recusariam tomar posse…
Andaram os nossos pais, avós e companhia a lutar pela plena democracia e, no Coronado, mais de 40% dos eleitores (3394) ficaram alapados no sofá ou no “feisse”, quiçá, a adular a estratégia do e-assessor do Grande Líder local. Os típicos bota-abaixistas do “está tudo mal, tudo mal”, na hora da verdade, borrifam-se para a gestão pública da sua/nossa freguesia; contudo, a lata de alguns é tanta que integram a rosada campanha, por exemplo, contra os milhões de Bruxelas plantados na ciclovia e, ao mesmo tempo, pela calada da noite, na Gondão, são apanhados a carregar baldes/sacos de areia e de cubos de granito. Pum!
Saúde-da-boa!

vítor assunção e sá | APVC
facebook.com/valedocoronado

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