Era uma vez um concelho que se caracterizava pelo empenho, a união e a capacidade que o seu povo tinha para superar as adversidades.

Este concelho, apesar de recente, foi criando fortes raízes no associativismo popular. Mesmo sem os apoios merecidos e sem as infra-estruturas necessárias, a sua população nunca se resignou.

Esforço após esforço, conseguiu ter 21 colectividades a participar nos campeonatos locais de futebol popular, envolvendo 49 equipas dos diversos escalões. No total eram envolvidos cerca de 600 atletas, a maioria jovens que não têm outro espaço para a prática desportiva ou para desenvolver qualquer outra actividade cultural, desportiva ou recreativa.

A estes 600 atletas, juntavam-se muitas dezenas (talvez até centenas) de dirigentes associativos que fazem horas de trabalho voluntário por semana.

No concelho onde se passa esta (triste) história, escasseiam os espaços para a prática desportiva, são muitas as dificuldades, mas todos os envolvidos fazem um grande esforço para que, semana após semana, tudo funcione. Não há gestores profissionais, há gente empenhada e dedicada, que faz um trabalho notável. Os atletas têm os seguros e acompanhamentos médicos legalmente exigidos, mas à custa de um grande investimento financeiro.

A autarquia local não tem (nem teve ao longo dos últimos anos) uma estratégia de fomento da prática desportiva, nem criou os espaços que lhe competia para tal. Procurava colmatar esta sua falha apoiando financeiramente as associações e o campeonato que elas organizavam com base em trabalho voluntário.

No final da época passada, em discurso de circunstância, no meio de inúmeros elogios, foi garantido por quem preside à tal autarquia que manteriam o apoio ao futebol popular e aos campeonatos concelhios que promoviam.

Para surpresa de todos, no momento de concretizar o apoio prometido, constataram que houve um corte de cerca de 40% no apoio, promovendo desta forma o estrangulamento financeiro desta actividade e pondo em causa a viabilidade dos campeonatos e das próprias colectividades.

Argumentam com a crise, mas esta crise só atinge as actividades amadoras, aquelas que dependem do trabalho voluntário e da dedicação de centenas de atletas que jogam por amor à camisola.

O concelho desta história é conhecido de todos, é a Trofa!

Sim, na Trofa estão em risco os campeonatos de futebol popular porque a Câmara não apoia o desporto amador.

Pode dizer-se que não há dinheiro para tudo, que estamos em crise. Mas estas associações substituem-se muitas vezes à própria autarquia na ocupação dos jovens.

Que futuro quer construir a Câmara Municipal da Trofa? Com quem quer a Câmara construir o futuro? Como fixar as jovens gerações no concelho? Que política desportiva tem a Trofa? E que apoio presta a autarquia ao movimento associativo?

O movimento associativo e popular merece mais, os dirigentes associativos merecem mais, os jovens merecem mais, a Trofa merece mais e melhor.

Jaime Toga